Segunda-feira, 20 de Janeiro de 2014
lealdade

Por suprema ironia foi Teresa Leal Coelho, figura próxima do Primeiro-ministro, que em consciência faltou à votação sobre a proposta de referendo aprovada na passada sexta-feira e que se demitiu da direcção da bancada parlamentar. Teresa, leal a Coelho, compreendeu que a sua lealdade deve-se primeiro ao país, à democracia representativa e às instituições democráticas. À jogada mesquinha e perigosa do líder da bancada parlamentar do PSD, com a conivência do presidente do partido, reagiram outro(a)s deputado(a)s com declarações de voto, após votarem favoravelmente por imposição de disciplina de voto, violando assim a sua própria consciência e a lealdade ao povo que representam e que lhes confia a maior diligência no desempenho das suas funções. Ora, por mais incompreensível que seja a imposição de tal disciplina em questões de consciência e não instumentais, exige-se que prevaleça sempre essa lealdade e responsabilidade com a confiança do eleitorado. Não está aqui em causa estar ou não de acordo com a matéria. O que está aqui em causa é repudiar o procedimento.



publicado por jorge c. às 10:30
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Terça-feira, 1 de Outubro de 2013
a grande avalanche

As eleições autárquicas são eleições locais e tirar conclusões a nível nacional pode ser muito perigoso para a democracia. Não é, neste caso. Exemplo máximo disso mesmo é o caso da Madeira. O mapa autárquico demonstra que a derrota do PSD é nacional e deve ser encarada como uma derrota partidária. Isto, como é evidente, relativiza a vitória do PS. Porque quando falamos de política em democracia, as vitórias ou derrotas dos partidos não devem ser a finalidade. Um partido não é um clube de futebol. E no panorama autárquico, os partidos perdem o controlo de parte substancial das suas candidaturas. Senão, veja-se o caso do Bloco de Esquerda em Elvas e do seu candidato racista, situação que foi de imediato e muito bem resolvida pelo partido. Quando um partido ganha uma autarquia com um candidato que não corresponde aos seus princípios de base, ou não preenche os requisitos éticos, então há sempre derrota. São vitórias do sectarismo ou do populismo sobre a democracia.

A lógica eleitoral do PSD não tem sido esta, infelizmente. Preocupados com quantos delegados conseguem meter no Congresso, em quantas listas de comissões políticas conseguem ter absoluto controlo, os responsáveis pelas concelhias e distritais do partido esqueceram-se do que é o serviço público e do que é fazer política. Oferecem-se lugares sem critério, multiplicam-se promessas para fazer aliados e destruir toda a concorrência possível. Afastaram, nos últimos 20 anos, muita gente que não se revia nesta forma pequena e irresponsável de fazer política e que faz, hoje, muita falta.

Foi precisamente neste cenário que o PSD foi crescendo para a decadência. Porque com um trabalho com qualidade nas autarquias, é difícil que os eleitores se deixem influenciar de forma tão declarada contra um autarca do partido do governo. É que torna-se importante lembrar que as autárquicas são sempre o rosto de alguém cuja proximidade não é só mediática.

Pedro Passos Coelho conseguiu, assim, juntar no mesmo pote todos aqueles que contribuiram para a grande avalanche que leva, hoje, o PSD a ser uma sombra do partido que foi. 

A eleição de Rui Moreira, no Porto, configura um manifesto de cidadania contra esta dinâmica do PSD, que poderia ter resultado num autêntico desastre, como aconteceu no resto do país e não apenas com o PSD. A proposta eleitoral de Rui Moreira deu aos cidadãos do Porto a certeza de que é possível acreditar na política local como um instrumento sério para o desenvolvimento e reforço da comunidade. A diferença entre a sua candidatura e as outras era notória e a cicatriz que isso deixa nos partidos pode ser profunda e dolorosa.

Por outro lado, também a emagadora vitória de António Costa em Lisboa não pode ser ofuscada pela panorâmica nacional. Costa tem feito um bom trabalho na cidade de Lisboa. É um presidente próximo dos cidadãos e da cidade, garantindo um sentimento geral de comunidade.

Mas, apesar da sua aclamada vitória, o PS também não pode ignorar as circuntâncias destas eleições (é claro que vai ignorar porque ganhou e o sectarismo é uma coisa tramada). A CDU, por exemplo, colheu os frutos do seu enraizamento dentro das comunidade e, muitas vezes, do seu excelente e reconhecido trabalho autárquico em concelhos muito difíceis, onde o PS falhou. O Bloco de Esquerda sofreu o seu centralismo na pele, demonstrando que não é um partido para autárquicas. Tudo isto terá consequências. Algumas delas podem ser dramáticas tendo em conta o inconformismo com a política partidária que vai crescendo como tendência.

O cenário não é, de todo, agradável. Por isso, torna-se urgente reflectir e agir dentro dos partidos sobre aquilo que interessa às comunidades e não terem, apenas, como desígnio nacional, a vitória. 

É preciso salvar os partidos dos seus verdadeiros carrascos. 

 

 



publicado por jorge c. às 11:11
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Segunda-feira, 2 de Setembro de 2013
Carta aberta ao Presidente do PPD/PSD

Caro Pedro Passos Coelho,

 

Quando em 1997 me filiei no Partido Social Democrata, assumi, com a humildade que a tenra idade me permitia, que era um partido que me tinha a mim e não o contrário. É um acto de consciência fundamental para um militante compreender que, para participar politicamente num partido democrático, os princípios e estatutos que o regem são fruto de uma realidade política colectiva, de serviço público, e não um mero instrumento de chegada ao poder para fabricar uma outra realidade.

Para chegar a esta conclusão e aceitar subscrever os estatutos do PSD tive, quase ao mesmo tempo, de compreender o sistema e o regime político do meu país. Era essencial para a minha consciência cívica. E mesmo com as alterações que são comuns e legítimas, há uma coisa que não posso esquecer e que aqui partilho consigo:

 

"(...)

Capítulo I - Princípios Fundamentais

 

Artigo 1º (Finalidades)

 

1. O Partido Social Democrata (PPD/PSD) tem por finalidade a promoção e defesa, de acordo com o Programa do Partido, da democracia política, social, económica e cultural, inspirada nos valores do Estado de Direito e nos princípios e na experiência da SocialDemocracia, conducentes à libertação integral do homem.

2. O Partido Social Democrata concorrerá, em liberdade e igualdade com os demais partidos democráticos, dentro do pluralismo ideológico e da observância da Constituição, para a formação e a expressão da vontade política do Povo Português.

3. O Partido prossegue os seus fins com rigorosa e inteira observância das regras democráticas de ação política, repudiando quaisquer processos clandestinos ou violentos de conquista ou conservação do poder.

(...)"

 

Certamente que reconhece os estatutos do nossos partido. E é precisamente com eles que lhe quero transmitir a minha absoluta repulsa por vários militantes do PPD/PSD terem aplaudido as suas inenarráveis palavras, proferidas durante Universidade de Verão.

A sua opinião sobre a Constituição da República Portuguesa é-me indiferente. Não lhe reconheço, a título pessoal, qualquer grau de conhecimento sobre qualquer assunto civilizacionalmente relevante. Porém, enquanto presidente do partido do qual sou militante (já para não falar enquanto Primeiro-ministro de um Governo Constitucional) exijo-lhe, a si e a todos os que com modos acéfalos o aplaudiram, que respeite os estatutos do partido e os seus princípios fundamentais. Porque caso isso não aconteça, julgo que o melhor é criar um partido novo que apoie tomadas de posição dessa natureza.

O PSD não é isto e não pode ser isto.

 



publicado por jorge c. às 21:19
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Segunda-feira, 19 de Setembro de 2011
O embaraço

A dívida da Madeira está a causar um embaraço dentro do PSD. Acontece que o embaraço suscitou uma reacção pouco nobre e paradoxal: a relativização.

Não podemos, de modo algum, andar durante 6 anos a apontar o dedo por causa de uma relativização politicamente prejudicial e pouco transparente para, depois, cair no mesmo erro. Para além da falta de imaginação é, também, falta de consciência crítica. Esta parece ser a doença dos tempos que correm.



publicado por jorge c. às 22:25
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Quinta-feira, 21 de Abril de 2011
Passos errados

Quando um partido político se dispõe a disputar o poder é conveniente que saiba gerir a construção do seu programa. Em política não se mostra serviço, mas sim estrutura e consistência. A serenidade que o sentido de Estado exige não é conseguida apenas através de postura e palavras vagas de um qualquer trabalho de escola feito em dois dias. Os cidadãos podem ser ignorantes, mas não são estúpidos. As pessoas sentem que há qualquer coisa que não bate certo. Vivemos um tempo onde cada vez mais se nota um primado da comunicação e da imagem sobre os conteúdos. Ora, à falta de conteúdos firmes e objectivos, de nada vale este tipo de serviços hoje tão requisitados.

Desde a sua tomada de posse como Presidente do PSD, Passos Coelho foi-se precipitando numa ânsia muito denunciada de chegar ao poder. É claro que se pretende que os partidos queiram o poder. O contrário é avesso à sua natureza. Contudo, é exigível a um partido como o PSD  que saiba o seu lugar e trabalhe com rigor e assertividade o seu programa e o seu eleitorado. Torna-se hoje claro que isto não aconteceu. Desde a sugestão inconsequente de Revisão Constitucional até ao encontro com as entidades internacionais de ajuda financeira internacional, foram demasiadas as inconsistências do PSD. Passos fez do PSD um partido inexperiente, coisa que até agora não fazia parte da imagem do partido. Que o líder seja tomado por inexperiente é uma coisa. Já que o partido se transforme à imagem e semelhança do seu líder é outra conversa.

Sem uma ideia para o país nas diversas matérias que importam ao Estado e à sociedade portuguesa em sentido amplo, Passos e o seu staff foram incapazes de mostrar aos portugueses que constituiam uma verdadeira alternativa com força e liderança suficientes para conduzir uma possível governação. Meia dúzia de palavras vagas não chegaram para mobilizar os eleitores. A pouco mais de um mês das legislativas, parece ser evidente que o PSD de Passos vai ter muitas dificuldades em recuperar os erros que tem vindo a cometer. E, acreditem, têm sido demasiados.



publicado por jorge c. às 00:24
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Quinta-feira, 31 de Março de 2011
Zumbido de campanha

Estas linhas de orientação para o programa eleitoral do PSD são um conjunto de generalidades, nada mais do que isso. Eu sei que são apenas linhas orientadoras e não o programa em si mesmo, mas nós já começamos a ouvir estas generalidades no zumbido de campanha. Fala-se em tudo, mas não se sabe falar de nada. A mediocridade do staff passista está em decorar a canção mas não saber ler a pauta.

O PSD não deve estar à espera que o ódio a Sócrates seja o suficiente para as pessoas irem a correr votar. E se quer mostrar seriedade, honestidade  e consistência no debate político não lhe bastará dizer que vai apostar no investimento e que exige mais dias de céu limpo a pouco nublado. Terá de ir bem mais longe. Quando nos propomos a ajudar à criação de um problema temos de ter já a solução preparada. Isso não é evidente.


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publicado por jorge c. às 14:39
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Segunda-feira, 28 de Março de 2011
Patranhas

Uma pessoa nunca deve confiar no Partido Socialista. Não é por mal, nem por nenhum outro motivo que seja passível de ser atribuído como característica de outro partido. Normalmente costuma dizer-se "ah, no PS é só boys", mas uma pessoa sabe que boys são, em rigor, cargos de confiança política para ter a máquina mais oleada e que isso todos os partidos têm. É verdade que uns podem ser mais competentes que outros, mas isso é, como diria um amigo meu, a puta da subjectividade. Noves fora, aprende a nadar companheiro.

O PS não é de confiança porque é um partido que, em última análise, é nihilista, como aquele rapaz no Big Lebowski - these men are nihilists, Donnie, they believe in nothing. É um partido que foi sugando o território ideológico do PSD e consequentemente o seu eleitorado mais forte que é a classe média que não passou a sua juventude a ler filosofia francesa e não andou estes anos todos enganada com as patranhas de um socialismo que já teve tantas mudanças de narrativa como os Morangos com Açúcar.


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Terça-feira, 22 de Março de 2011
Conversa de saco

Ontem, o ministro Jorge Lacão veio fazer um número à volta de uma declaração do PSD em estrangeiro. Mas PPC nem esteve mal de todo na resposta. Pelo menos pensou o mesmo que eu, que já não é mau. Lacão acha que os portugueses não raciocinam. Tanta coisa a defender que não existe facilitismo na educação para depois subestimar o raciocínio do comum dos cidadãos, como diria o Prof. Cavaco Silva, o nosso Presidente.

O Dr. Lacão, como muita gente à volta do PS, tenta passar a ideia de que o PSD se mostrou disponível para viabilizar o PEC e agora quer cortar as pernas e faltar à palavra provocando uma crise política. Dito assim até parece verdade. Esta coisa da comunicação tem a sua piada. Não é que a postura do PSD seja a melhor de sempre, mas o PS anda a ver se sacode a água do pacote. Não é brejeirice minha, é economia política.

O PSD mostrou-se disponível para viabilizar o PEC, verdade. O Governo antecipou a apresentação de um pacote às instituições europeias sem consultar a AR ou o PR, ou seja, os órgãos de representação popular, verdade. As instituições europeias dizem que o acordo é irrevogável porque o Governo se comprometeu, verdade. A proposta importa um conjunto de medidas que não foram discutidas entre os partidos, verdade. O PSD afirmou que não aprovaria o PEC nestas condições, verdade. O PSD criou uma crise política, como diz aqui o João Galamba? Mentira. O PSD ajudou a criar uma crise política porque o Governo não é o país, como já foi aqui dito. O Governo representa o país e não se pode comprometer lá fora com algo que tem de justificar cá dentro. A sua posição política é demasiado frágil para andar feito dona de casa desesperada.

Além de que esta conversa do "quem provocou a crise política" já enjoa. Em última análise a responsabilidade é sempre do Governo que é quem - ora bem! - governa.

Neste momento resta uma hipótese a José Sócrates que é apresentar uma moção de confiança. As relações institucionais estão completamente destroçadas. Muito disso se deve ao discurso combativo do PS durante os últimos 5 anos, "todos contra nós". Não perceber que pior do que uma crise financeira é uma sociedade desagregada é também não compreender a estrutura e a forma da democracia. É preciso restaurar a confiança, o respeito e a coesão institucional. Não quero com isto dizer que o PSD o vá conseguir, mas que pelo menos o PS devia tentar recuperá-lo. Ou então, seguir caminho, que se faz tarde.



publicado por jorge c. às 13:08
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Segunda-feira, 21 de Março de 2011
Dos conteúdos

Pedro Passos Coelho afirma que "o PSD não deixará o país ficar numa situação pantanosa". É uma promessa? Pronto, nós acreditamos e vamos já todos votar no PSD para assumir os destinos do país sem sequer saber o que pensa a direcção do partido da educação, da saúde, da cultura, do ambiente, do emprego, da justiça, da ciência, da Europa, do Mundo, enfim... Economia é suficiente. Vamos a votos!

Não obstante a necessária responsabilização do Governo por questões que aqui têm sido levantadas, parece-me que o PSD tem de ter alguma calma. Está tudo muito excitado com a possibilidade de chegar ao poder. E atenção, que apresentar um programa com a rapidez daquele inenarrável projecto de Revisão Constitucional pode não ser a melhor solução. O Governo não é a distrital do Porto.



publicado por jorge c. às 11:27
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Segunda-feira, 28 de Fevereiro de 2011
Uma casa portuguesa

O Pedro Marques Lopes ensaia aqui uma passo doble, mas ele sabe que não passa de uma revienga. A questão que se coloca não é se Rio está ou não melhor preparado que Passos Coelho. O ónus da preparação está no Dr. Passos Coelho. Porque antes de ser Presidente de Câmara, o Dr. Rio foi Secretário-Geral do PSD. É um político com um percurso concreto e objectivo. Já o Dr. Passos Coelho foi líder da JSD e vai dizendo umas coisas que nós ainda não sabemos se vêm da cabeça dele ou não. Portanto, tem muito por provar ao país (não é ao partido, porque já é Presidente). Se calhar, se tivesse sido Presidente de Câmara já lhe conhecíamos algumas qualidades. Assim sendo, só lhe conhecemos a retórica insípida de quem não quer grandes comprometimentos e a instrumentalização das distritais e concelhias para preparar um aparelho. O meu querido amigo repare, por exemplo, que não se conhece qualquer ideia do PSD de Passos Coelho em relação à Europa. O que faz com que qualquer cidadão desconfie quando depois - só depois, já sabemos como é - do encontro de Sócrates com Merkel o Dr. Passos Coelho vier dizer qualquer coisa. Ou seja, é sempre extemporâneo. Em suma, não se trata dos outros vs. PPC. Trata-se, isso sim, de PPC mostrar que tem uma ideia, uma estratégia, uma definição de objectivos que até agora ainda não mostrou. De resto, o que Santana Lopes está a fazer foi o que a entourage de Passos Coelho andou a fazer durante 2 anos à Dra. Ferreira Leite - um vício de família.

 

 

Adenda: apercebi-me agora que o título que escolhi para este post tinha sido utilizado por Vasco Pulido Valente. É evidente que o meu título se refere às zaragatas dentro do PSD e nada têm que ver com o que escreve VPV.



publicado por jorge c. às 14:01
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Quarta-feira, 20 de Outubro de 2010
Anda-se muito distraído

É perceptível naquilo que escrevo sobre Passos Coelho que não simpatizo com a sua persona política. No entanto não o subestimo. Tal como Sócrates, Passos é um homem das maroscas eleitoralistas que envolvem os partidos nas suas bases e que alimentam as máquinas das concelhias e distritais. Portanto, nem é ingénuo, nem tampouco burro.

Aqui, neste preciso momento, podemos verificar isso mesmo. O PS andou semanas a colocar a pressão do lado de Passos Coelho. Os mais distraídos não terão reparado na calma do líder do PSD. É que, agora, depois de todos os apelos, o PSD consegue colocar o ónus da responsabilidade da aprovação do OE no Governo.

É uma jogada política? É, claro. E muito bem feita, por sinal.



publicado por jorge c. às 10:27
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Terça-feira, 31 de Agosto de 2010
Revisão e programa

Volto por pouco ao tema da proposta de Revisão Constitucional do PSD. Tinha decidido não comentá-la do ponto de vista material por não passar de um projecto embrionário. E continuarei sem o fazer até a proposta se concretizar.

Contudo, não posso deixar de fazer uma pequena observação sobre esta intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa. Está lá tudo. O PSD tem de distinguir aquilo que é a Revisão Constitucional das suas propostas governativas. Uma confusão das duas não é desejável, nem tampouco aceitável. Porque o que se espera de um partido em democracia é que este não confunda as suas linhas programáticas com matérias de dignidade constitucional, valores mais gerais e amplos.



publicado por jorge c. às 18:16
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Domingo, 25 de Julho de 2010
O PSD e a Revisão Constitucional II

Já que se vai criticar o projecto de  Revisão Constitucional de Passos Coelho, então que se diga algo de jeito, e não os disparates que andam aí de boca em boca, carregados de demagogia, desde o CDS até ao PC, passando pelo cidadão comum que, por norma, é parvo.

A Constituição assenta numa estrutura tridimensional: forma, matéria e realidade constitucional. Fala-se de uma tridimensionalidade devido à necessária interdependência dos três factores, sendo que é a realidade constitucional, ou seja, o comportamento e a exigência da realidade socio-económica e cultural, que vai projectar a necessidade das outras duas. É claro que, de um ponto de vista vanguardista, a forma ou a matéria podem influenciar, e muito, a sociedade. Mas, para isso será necessário que esta esteja aberta - não pronta (nunca está) - a uma alteração, muitas vezes significativa, da sua narrativa política.

 

Posto isto, e olhando a proposta do PSD, pode dizer-se que não houve este cuidado e o que se tentou fazer foi inserir um programa político numa proposta de Revisão Constitucional descuidando a realidade constitucional. A linguagem encontrada foi, portanto, desadequada e até um pouco ofensiva à ideia de Estado-providência a que o país se habituou e da qual fez costume. O que não quer dizer que os assuntos sobre os quais recai não estejam a necessitar, pelo menos, de uma discussão jurídico-política séria, nem tampouco que mais liberalismo seja anti-democrático. Penso até que foi isso que Passos Coelho quis dizer quando apelou a alguma calma no ataque que estava a ser feito à sua proposta já que esta teria de ser analisada e discutida dentro do PSD antes de ser formalmente apresentada.

 

Não deixa de ser interessante observar a histeria colectiva por causa dos direitos sociais num país com elevada percentagem de abstenção, com défices de participação cívica visíveis nas assembleias de freguesia por esse país fora e tão ignorante no que à sua própria Constituição diz respeito. E não olhem para mim. Eu nem gosto de Passos Coelho.



publicado por jorge c. às 12:49
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Quarta-feira, 21 de Julho de 2010
O PSD e a Revisão Constitucional

Já aqui tinha dito, aquando da vitória de Passos Coelho, que propor uma revisão constitucional agora era despropositado e imprudente. Ainda ssim, as matérias propostas são sempre discutíveis e até a sua oportunidade é uma boa discussão.

Comecemos, então, por aí. Num cenário de instabilidade social e política, rever áreas particularmente frágeis como a saúde ou o trabalho, em matéria de direitos fundamentais, pode ser contraproducente. Seria mais indicado o PSD tratar primeiro da sua linha ideológica, sufragá-la e deixá-la ser escrutinada, e só depois pensar numa Revisão com propostas condizentes com aquela que é a realidade constitucinal. Corre-se o risco de se cometer o mesmo erro do passado e, convencidos de que estamos a inovar, estarmos apenas a resolver problemas de época, demasiado influenciados pelos tempos e por questões pontuais.

É claro que as propostas do PSD não são alarmantes como se tem gritado por aí. Apesar de serem imprudentes têm muita substância para podermos discutir alguns conceitos que têm influência directa no nosso desenvolvimento enquanto sociedade democrática e madura. E está definitivamente na altura de se discutir estas questões: a consistência do serviço nacional de saúde, a maturidade da legislação laboral, a responsabilidade política.



publicado por jorge c. às 11:21
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Terça-feira, 29 de Junho de 2010
O reforço ideológico do PSD

A minha insistência com Pedro Passos Coelho (PPC) não deve ser encarada como uma perseguição, mas antes como uma forma de avaliar bem todas as particularidades da sua conduta enquanto político. Sócrates está em queda, ou pelo menos na corda bamba do seu próprio sucesso e a queda é iminente. Resta portanto avaliar aquele que está mais próximo da sua substituição.

Ontem, numa declaração sobre o reforço ideológico do PSD e da sua adequação aos novos tempos, PPC deixou clara a sua forma de encarar os timings e, de certo modo, de fazer política. É, no geral, uma declaração feliz.

PPC sabe que Sócrates foi roubar espaço que pertencia ao PSD. Ao contrário daquilo que se diz, não é o PSD que tem características mais à esquerda, mas sim o PS que foi ocupando um espaço político que pertencia ao PSD. Este foi um dos grandes trunfos de Sócrates e que este aprendeu muito bem com António Guterres. Inventaram-se os Fóruns Novas Fronteiras, foi-se buscar o discurso reformista, falou-se em inovação. Resultou.

Na sua declaração de ontem, PPC mostra que pretende recuperar esse espaço. Num discurso muito abrangente, conseguiu envolver todo aquele que é o espectro social-democrata, as bases e as elites como é costume dizer. Foi, enfim, inclusivo. E sem tornar o seu discurso forçado ou inconsistente, o Presidente do PSD conseguiu firmar os conteúdos programáticos do partido em abstracto que, no fundo, são a sua natureza e que sempre lá estiveram. Daí a ideia de reforço e não de reformulação.

Mas esta novidade introduzida pela direcção passista não é senão aquilo que estava bem explícito no programa do PSD para as últimas legislativas, de Manuela Ferreira Leite, e que os sequazes do novo líder tanto atacaram. Essa abstracção programática e os conteúdos ideológicos, numa corrente social-democrata contemporânea, já lá estavam e, como disse na altura Marcelo Rebelo de Sousa, era claro que aquele programa servia para demonstrar a intenção de uma mudança do comportamento político e do panorama ideológico - um programa para uma maioria relativa e consequentes eleições antecipadas.

De qualquer modo, o impacto da declaração de PPC parece-me positivo. Apesar da contínua superficialidade da proposta política, da constante formação de grupos de estudo e de trabalho, o discurso funciona e politicamente é bem conseguido.

Acontece que esta distância que se pretende criar no espaço ideológico não tem qualquer reflexo no campo prático. O que PPC está a fazer é tentar ocupar o espaço do Bloco Central sozinho, como Sócrates ocupou. E, não obstante a inteligência e o sentido de oportunidade com que o faz, é uma manobra com um certo toque de populismo ou, melhor, de eleitoralismo e que, na prática, vai-se reflectir na mesma forma de fazer política, aproveitando as frequências mais populares para desenhar a sua estratégia, aproveitando a opinião pública. Como é óbvio, nem sempre o que a opinião pública pretende é a política que um partido traça inicialmente e daí que seja fácil concluir que tanto consenso ou dá em volatilidade política e demagogia, ou acaba em total contradição com o que se propagandeou.

Em suma, apesar de ter uma imagem mais leve e menos conflituosa que a de Sócrates, PPC é também um fruto do aparelho que o criou e que o próprio alimentou. As suas semelhanças com o actual Primeiro-ministro estão à vista e a probabilidade de continuarmos numa política de mediatismo e aparência é cada vez maior. Resta saber o que pretende Passos Coelho, de facto. O romantismo um dia acaba.



publicado por jorge c. às 11:41
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Segunda-feira, 28 de Junho de 2010
Aquilo que é mesmo óbvio

Depois de mais uma sondagem que revela maior intenção de voto no PSD, começamos a pensar naquilo que poderia hoje ser um PSD no governo. Não nos seria difícil adivinhar, para além do spin abrantino que já se faz, o estilo que seria usado por muitos. Andar-se-ia na linha dos Candais e dos Santos Silvas.

Não gosto muito de entrar em polémicas directas com as pessoas à custa do seu estilo. Mas, neste caso específico, vemos uma pessoa rancorosa, maldosa, mal-educada, sem qualquer espírito democrático, com fortes probabilidades de chegar a um ministério. Para já não falar na linguagem fanfarrona. Portanto, julgo ser importante apontar o dedo a este género de afirmações que vão definindo o carácter político deste ex-Secretário de Estado do Engº Guterres.

É claro que não vou envolver o próprio Passos Coelho neste tipo de declarações. Mas depois não se queixem dos amigos e dos familiares - gordos ou magros.



publicado por jorge c. às 11:24
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Sábado, 26 de Junho de 2010
O dr. Coelho

Nos últimos tempos a tensão entre CDS e PSD aumentou. O Partido Portas começou a atacar o partido do dr. Coelho devagarinho. O dr. Coelho começou a ver a coisa a correr mal, principalmente depois das polémicas com Cavaco, porque a consequência de o apoiar para as presidenciais é uma inevitável colagem da imagem do Presidente ao PSD. O dr. Coelho tinha de arranjar uma solução. E para este homem admirável não há tempo a perder. É preciso dar sempre uma boa imagem e evitar cair na boca do povo. Daí que o dr. Coelho passe a contar com o CDS, não se percebendo bem em que medida e a que propósito. A não ser o propósito da jogada politiqueira. Aí sim, faz todo o sentido e é válido, claro. Nós podemos é não achar muita gracinha. Isso já é outra conversa.



publicado por jorge c. às 15:12
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Sexta-feira, 28 de Maio de 2010
Necessidade e consequência

Vasco Campilho parece estar muito entusiasmado com os resultados de uma sondagem que dá quase maioria absoluta ao PSD. Pois eu não sei se isso será assim tão positivo.

O problema com estes resultados, nesta altura precisa, é que eles evidenciam uma consequência política e não uma necessidade. Se fosse uma necessidade não seria o PSD de Passos Coelho a estar em tal destaque já que, como temos vindo a ver, não obstante a assunção de partilha de responsabilidades que lhe competia, o líder do PSD tem sido calculista no sentido eleitoral. Assim foi com o TGV, assim foi com a comissão parlamentar de inquérito e assim tem sido relativamente a inúmeras matérias das quais se destaca a matéria de impostos.

Ora, nós não necessitamos de um Primeiro-ministro que seja politicamente calculista. Nós necessitamos de alguém que tenha total convicção no que está a fazer e não esteja tão preocupado com o modo de o fazer. Nós necessitamos de firmeza na liderança e não de plasticina política moldável ao sabor das circunstâncias.

Tudo o que acontecer será, então, uma mera consequência das circunstâncias e não uma afirmação convicta da vontade soberana. Será apenas cansaço, o que não contribui em nada para a consciência.

Se o Vasco fica satisfeito pela vitória através do cansaço, eu não.



publicado por jorge c. às 11:17
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Segunda-feira, 26 de Abril de 2010
outsider

Aguiar Branco esteve bem no discurso do 25 de Abril, Ferreira Leite esteve bem na comissão de inquérito... Se calhar o problema do PSD é a existência da ideia de líder. Se calhar seria melhor o PSD não ter liderança, de todo.


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publicado por jorge c. às 19:51
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Terça-feira, 13 de Abril de 2010
Um mito

Vou considerar que é apenas falta de conhecimento político, uma certa ignorância, e abdicar da ideia de má-fé que tenta tomar conta do meu discernimento em relação ao mito de que a instabilidade dentro do PSD se deveu à não inclusão de adversários de Ferreira Leite nas listas para deputados.

Em primeiro lugar, e para não perder mais tempo com falhas de memória, é preciso não esquecer que Manuela Ferreira Leite foi eleita presidente do PSD há quase dois anos. Nessa altura, o seu principal adversário - Pedro Passos Coelho - não aceitou muito bem a derrota e continuou a fazer de conta que estava em campanha contra a líder do partido (ah, a unidade, a unidade), entrando num jogo de conferências e entrevistas programadas pelo seu gabinete de comunicação que pelos vistos se relacionava muito bem com o jornalista Francisco Almeida Leite do Diário de Notícias (que poderão também ler aqui) e com o líder da distrital do Porto do PSD, Marco António Costa, que é agora (surprise!) vice-presidente do partido.

Em segundo lugar, talvez não fosse de ignorar que MFL sabia, como toda a gente sabia, que era muito difícil vencer eleições contra José Sócrates numa altura em que se criou um certo entricheiramento da sociedade - os que apoiam Sócrates e os que não apoiam. Logo, é natural que, em caso de ganhar eleições, o PSD estaria representado na AR por uma maioria relativa e que, como tal, era de esperar que a bancada estivesse com a líder do partido e não contra. Seria portanto lógico que MFL chamasse a si aqueles em que depositava mais confiança política e não a criatura que lhe andou a minar o terreno durante dois anos sem parar.

O que temos aqui é uma falácia, um resultado falso na soma de um conjunto de factos que continua a contribuir para a necessidade de fulanização de que Passos Coelho tanto precisa para derrotar Sócrates. Isto não é política, é um jogo de vaidades pessoais.

Há quem goste de ser enganado. Eu não faço muita questão.



publicado por jorge c. às 12:23
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