Domingo, 24 de Abril de 2011
Vai ficar tudo bem

 

Sou um péssimo católico. Gozo com a religião, sou subversivo e já espetei uns belos pares de bandarilhas no cânone. Não acredito numa relação obstinada com a religião. Até porque a minha relação não é com a religião, mas antes com a sua natureza.

Não é muito cool um gajo acreditar em Deus. Ontem, um amigo ficou muito surpreendido quando lhe disse que acreditava. Como é que um tipo explica isto? Pá, é assim a vida, as far as i can see, mais vale uma pessoa acreditar, não vá o Diabo tecê-las. Ou como dizia um amigo meu: "acredito porque acredito". Sem mais porquês, é uma convicção sem precisar de provas em saquinhos de plástico ou comprovativos científicos assinados e carimbados por individualidade credível dentro de outro cânone. Outros credos.

É claro que isto leva-nos à descredibilização. Hoje o problema de um crente não é a imposição da fé, mas antes a própria fé. Chateia as pessoas. Que estupidez. Só pode ser burro. E assim é. Há que ter paciência e esperar que corra tudo bem. Afinal é isso mesmo, não é - acreditar que vai ficar tudo bem?

 


tags:

publicado por jorge c. às 11:04
link do post | comentar | partilhar

Sábado, 23 de Abril de 2011
a love supreme

 

 


tags:

publicado por jorge c. às 01:45
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Segunda-feira, 3 de Janeiro de 2011
And it's all just a little bit of history repeating

É muito interessante que na semana em que Bento XVI anuncia um encontro entre vários líderes religiosos sejam os ateus a falar de radicalismo e fundamentalismo. O movimento ateísta está cada vez mais empenhado em retirar a palavra aos líderes religiosos subvertendo tudo aquilo que dizem e dando-lhe sempre um toque de absoluta maldade. É muito triste que não se aprenda nada com a História.



publicado por jorge c. às 11:41
link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 24 de Dezembro de 2010
Definições

A religião continua, ainda hoje, a ser um instrumento ideológico em vez de significar o exercício de fé e esperança. A fé e a espiritualidade (ou os seus contrários), quando usadas para fins ideológicos, são um potenciador de demagogia ou de coisas bem piores.

Em muitos blogs vemos celebrações de Natal com referências políticas. A intenção não é boa, nem honesta. Não faz parte do cristianismo esse rancor, esse ressentimento. Um cristão ressentido não é um cristão, é um ressentido.



publicado por jorge c. às 12:21
link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Conceição Virginal de Jesus

"Ora, a origem de Jesus foi assim: Estando Maria, Sua mãe, noiva de José, antes de habitarem juntos, notou-se que tinha concebido do Espírito Santo. E José, Seu esposo, sendo justo e não querendo denunciar publicamente, resolveu repudiá-l'A em segredo."

A seguir a isto vem um anjo que confirma a história ao carpinteiro e fica tudo bem. Portanto, ter fé, no fundo, é acreditar que a probabilidade disto ter acontecido é muito grande. Complicado... Quer dizer, também há gente que acredita que o homem foi à lua e ainda filmou tudo...

Mas a coisa vai lá com esforço e sacrifício porque, no fim de contas, queremos todos que isto fique tudo bem com muito amor, unicórnios, anões e pombas brancas. E desejar um Feliz Natal é isto, no limite.



publicado por jorge c. às 11:18
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Domingo, 21 de Novembro de 2010
God is in the house

Afastei-me da Igreja Católica há cerca de 10 anos por uma série de incompatibilidades. Víamos o mundo de maneira diferente e, apesar de manter os seus valores nucleares, não consegui ser hipocritamente fiel. Saí. Como dizia alguém aquando da visita do Papa: "não sou eu que tenho uma religião, é uma religião que me tem a mim". Perdeu-me.

Compreendi sempre a perspectiva conservadora da Igreja no capítulo da sexualidade. Compreendi e ainda a respeito, muito embora não a aceite. É para mim natural que a doutrina da Igreja se mantenha sólida no que à Vida diz respeito e não queira descarrilar ao mínimo sinal de evolução social. No entanto, não é verdade que a Igreja nunca mudou. John Milton e William Blake notaram que a nossa ideia de Deus não é a mesma desde sempre e que é a própria Igreja que contribui para essa mudança na fé dos crentes. De um Deus medieval impiedoso passou-se para uma ideia de um Deus misericordioso já no séc. XVIII e, mesmo no séc. XX, a relação dos crentes com Deus modificou-se ao ponto de ser a Igreja a procurar agradar a uma certa evolução e não o seguidismo absoluto a que assistimos durante séculos de História.

Contudo, é importante compreender que qualquer cedência da Igreja no âmbito da sexualidade não deve ser tomada de ânimo leve. Seria sempre como derrubar uma parede-mestra num edifício demasiado antigo.

Vem isto a propósito das declarações do Papa numa entrevista agora publicada em livro sobre o uso do preservativo. São declarações que me deixam satisfeito porque vejo a Igreja a manifestar algo que está muito mais relacionado com a sua filosofia do que o moralismo anacoreta a que nos foi habituando. Acredito, por isso, que para além das questões relacionadas com a sexualidade, há um valor muito maior que é a Vida e que o dogma da Vida faz muito mais sentido do que o dogma da intimidade. Porque a ideia de Deus está nessa necessidade de valorização da Vida e não no medo de pecar.

Não sei se chegou tarde ou não. Sei que chegou e que é bem-vinda.



publicado por jorge c. às 13:22
link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 13 de Maio de 2010
opus dei


publicado por jorge c. às 14:25
link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 12 de Maio de 2010
A recepção esperada

Há dois ou três dias dir-se-ia que estávamos numa competição a ver quem é que tinha mais gente: a facção ateia ou a católica. Nervosos e irritados, os ateus multiplicaram-se em ataques agudos à Igreja e a Bento XVI. Bastou a chegada do Papa para que se parasse um pouco para o ouvir e acabar com esse ruído e com todas as dúvidas. Os portugueses responderam em massa à visita de Bento XVI que, por sua vez, revelou a sua inteligência e generosidade e mostrou a linguagem universal da Igreja e a sua mundividência. O Estado respondeu em conformidade, face a uma instituição que é parte integrante da nossa natureza, da nossa cultura e da nossa estrutura moral.

As facções são uma ilusão porque o Papa fala para todos os que se dispuserem a ouvir. Tentar entrincheirar as pessoas, dividir os homens para conquistar um qualquer caminho incerto, é só uma demonstração de ignorância intolerante que não encontra apoio na maioria dos portugueses, não obstante a sua legitimidade.



publicado por jorge c. às 13:01
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Terça-feira, 11 de Maio de 2010
da bíblia



publicado por jorge c. às 15:26
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

A missão de Bento XVI

A incontornável visita de Bento XVI a Portugal gerou algum mau estar em parte significativa da população portuguesa. Num período de crise moral, social e económica, como o que hoje vivemos, as atenções das várias sensibilidades e frustrações viram-se para a Igreja Católica dado o seu peso histórico na civilização ocidental. É claro que não deixa de ser paradoxal e caricato o desnorte das críticas à Igreja e especialmente a Bento XVI. Veja-se por exemplo a concentração de energias nessas críticas. Se parte do activismo ateu considera que o catolicismo perde cada vez mais peso, essa concentração e nervosismo face à visita do Papa revela precisamente o contrário, revela uma preocupação com a influência religiosa. E também por aqui podemos chegar a outro paradoxo naquilo que é a fronteira entre laicidade e liberdade religiosa. É que essa influência é subjectiva. Cada indivíduo deixa-se influenciar. É a sua liberdade de aceitar ou não a religião, e não de um terceiro decidir por racionalidade. A razão tornou-se o dogma dos ateus.

 

Também as questões relacionadas com a pedofilia, o aborto, o preservativo, o celibato e o sacerdócio masculino exclusivo contribuem para esta tensão. O Papa tem enfrentado estes temas com bastante serenidade e a própria mediatização dos assuntos fá-lo fortalecer questões doutrinárias fundamentais para a sustentabilidade da filosofia católica. A sua visita é também um sinal da sua missão de consolidar o catolicismo, alertar para a crise moral e reconstruir a imagem de confiança da Igreja. Porque o que o Papa tem transmitido é uma mensagem de esperança, de confiança e de verdade com base nos valores primordiais da Igreja. É com isso que os católicos se identificam e é com isso que o Papa quer que se compreenda a Igreja.

 

Portanto, a sua missão é solidificar a fé cristã de dentro para fora, sendo que a fé é algo espiritual e não material.



publicado por jorge c. às 13:30
link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 5 de Maio de 2010
a ignorância mediática

A obsessão com a Igreja Católica começa a tomar proporções de estupidez nunca antes vistas. Agora é a vez de uma petição pela laicidade. Estas criaturas (não há outro nome) nem se deram ao trabalho de perceber o maior desvio de laicidade em Portugal e que reside no art. 1625ª do Código Civil. A última concordata concedeu ao Estado a possibilidade de retirar este artigo e a respectiva competência dos tribunais eclesiásticos. Até hoje, e já vamos em 2010, o Estado ainda não mexeu no artigo e ele lá se mantém. Isto sim tem que ver com laicidade e não a visita do Papa. Mas a obsessão ignóbil é tal que ninguém está muito preocupado com aquilo que interessa. Isto já nem é radicalismo nem jacobinismo, é apenas ignorância e excesso de tempo livre.

 

Numa altura em que o país vive uma incerteza muito grande em relação ao seu futuro, a preocupação da pequena esquerda burguesa é a visita do Papa. Houve ali uns dias em que se falou nos cortes do subsídio de desemprego, para dar aquele ar de que ainda se preocupam com os pobrezinhos, mas de resto nem ai nem ui. E é muita desta gente que tem opinião nos jornais, é muita desta gente que nem sequer está interessada em questionar a situação económica do país porque está convencida que isso é conversa que não interessa e que tudo se há-de arranjar - o Estado resolve. Talvez se faça alguma justiça poética, já que por consciencialização já vimos que isto não vai lá.



publicado por jorge c. às 14:31
link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sábado, 24 de Abril de 2010
Infantilidades

Às vezes lemos coisas e não queremos acreditar que pessoas com mais de 15 anos são capazes de as escrever.

Tomás Vasques, no Aparelho de Estado, escreve um dos maiores disparates que já alguma vez li na vida. Sem querer entrar aqui em sarcasmos, nem me pôr a gozar com o Tomás Vasques, que bem merecia que alguém o fizesse tal é o disparate, vou tentar explicar-lhe por que razão a contestação ao poder político não pode ser a mesma que ao poder eclesiástico, tão só porque o poder eclesiástico não é escolhido nem diz respeito aos não-crentes.

Enquanto o poder político, em democracia, é escolhido pelos eleitores e tem sempre de responder perante estes, sejam católicos ou não, o poder eclesiástico refere-se apenas aos crentes, a quem professa a religião. Além de que nem sequer é escolhido. Por isso, existe a liberdade de não o aceitar e não comungar das suas orientações. O que têm os não-católicos a ver com o que se passa na Igreja Católica? Ora, parece-me que nada de nada, tirando algo que interfira directamente nas leis civis.

No caso da pedofilia cabe aos tribunais decidirem se estamos perante um acto de cumplicidade ou não, não ao Tomás Vasques que, segundo sei, não é competente para decidir sobre essas matérias. No caso dos preservativos a situação ainda é mais estúpida. Mas o que é que o Tomás Vasques ou o SOS Racismo têm a ver com a não-utilização de contracepção dos católicos? Se os católicos não quiserem usar contracepção o problema é deles. Se isso fizer com que espalhem doenças é um problema do Estado e que o Estado tem de julgar como o faz com todos os outros crimes, a partir da lei e através dos tribunais. Se o católico optar por não ter mais relações sexuais, o problema é dele. Se o católico optar por usar preservativo é apenas hipócrita e, mais uma vez, é um problema seu e de Deus e não do Tomás Vasques. Mas o Tomás Vasques acha que sim, que é, porque no fundo o Tomás Vasques não tem qualquer tipo de respeito pela liberdade religiosa e espiritual e quer interferir na filosofia, na política e na organização de uma instituição privada invocando direitos dos cidadãos que a ela não pertencem. Haja paciência!



publicado por jorge c. às 12:44
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Quinta-feira, 22 de Abril de 2010
Breve nota sobre o hijab

 

Sem querer entrar muito neste tema, mas sabendo que tem relevância no panorama dos direitos fundamentais, queria apenas dizer que a proibição tout court do hijab é uma medida pouco sensata. Se por um lado esperamos que a lei vigente nos países para onde se imigra seja respeitada, que a cultura ou religião não interfira nem colida com as leis civis, por outro lado espera-se dos Estados livres e plurais o maior respeito por outras culturas e religiões. Este equilíbrio é fundamental. Uma proibição neste capítulo não demonstra esse equilíbrio, não é cuidadosa, porque vai apenas avaliar a própria proibição e não a génese da convivência no espaço público. A Europa não é detentora de uma verdade universal e isso vê-se pelo estado a que chegaram parte substancial dos seus países.



publicado por jorge c. às 13:43
link do post | comentar | ver comentários (9) | partilhar

Quarta-feira, 14 de Abril de 2010
laicismo

Uma das coisas que mais gostava de ver era a não intromissão do ateísmo nos assuntos do Estado. O ateísmo provoca o desfasamento entre o Estado (o seu povo e a sua história) e a sua maior referência cultural e espiritual. Sou muito favorável ao laicismo do Estado e, como tal, não acho tolerável que um movimento ateu continue a infantilizar a sua política e a sua forma de compreender a liberdade religiosa.



publicado por jorge c. às 11:21
link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Domingo, 28 de Março de 2010
Dissimulação

O problema da pedofilia em grupos específicos não é um problema exclusivo da Igreja Católica, mas sim um problema dos círculos de poder. Um bom exemplo disso (à sua escala, evidentemente) é o caso da Casa Pia onde, apesar de ainda não haver trânsito em julgado, o núcleo central dos arguidos são indivíduos inseridos num círculo de influência e poder, o que acaba por ser no mínimo sugestivo ou indiciário.

 

A pedofilia é um crime hediondo, um crime demasiado grave para ser utilizado como arma de arremesso contra uma instituição religiosa. Pior do que isso é julgar a fé dos católicos pelo comportamento de homens, indivíduos com uma vontade própria e que não representam a fé mas sim a instituição. Quero com isto dizer que quem tem de ser censurado e punido é o homem e não a religião, ou a fé, como tem vindo a ser sugerido surrateiramente por uma certa mentalidade ateísta primária e desprovida de lucidez.

 

É claro que a instituição tem responsabilidades acrescidas e o crime deve ser encarado como acção qualificada a partir do momento em que se parte de uma posição de domínio e de aproveitamento da relevância social para subjugar uma parte claramente mais fraca. E desta responsabilidade não está excluído o representante máximo da Igreja se ficar claro que foi cúmplice com o crime e que, além disso, ainda tentou branqueá-lo. Antes da violação dos valores que regem a sua própria instituição - uma avaliação que deve ser feita por todos os católicos - está a violação da lei, a prática de um crime previsto e punível, a inobservância de uma conduta moral que visa proteger a dignidade humana. É disto que falamos em primeiro lugar e é isto que temos de condenar. Usá-lo para dar voz a um ódio religioso é uma atitude desprezível.

 

Adenda: A ler este artigo de António Marujo, via Nuno Miguel Guedes.



publicado por jorge c. às 16:55
link do post | comentar | ver comentários (31) | partilhar


Um blog de:
Jorge Lopes de Carvalho mauscostumes@gmail.com
pesquisa
 
arquivos

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

tags

todas as tags

blogs SAPO
visitas
subscrever feeds