Domingo, 31 de Março de 2013
ADIDAS (all day i dream about sócrates)

É-me dificil entender como é que um indivíduo de características tão banais como José Sócrates gera a bipolarização a que temos assistido, de amor/ódio. Dir-se-ia que, se o ridículo pagasse imposto, a dívida estava paga, pelos seus seguidores fanáticos e pelos seus detratores fanáticos. Foi esta a maior fonte do mediatismo da entrevista a José Sócrates: a histeria colectiva.

Sócrates disse alguma coisa de novo? Sócrates sugeriu algo de novo? Não. Sócrates foi entrevistado por dois jornalistas mal preparados, sobre a sua governação. O que mudou desde então? Um governo que foi eleito ao estilo Canção do Engate: "porque eu sou melhor que nada". Acontece que o facto deste governo ser mau, não iliba o seu antecessor, ou seja, José Sócrates & Co. LDA.

O que tornou a entrevista a seu favor foi, como disse, uma dupla de jornalistas mal preparados, mal informados e baseados em mitos. Aliás, o tom das críticas a Sócrates tem sempre esta patetice de se basear em mitos. Ora, quando os mitos são confrontados com factos, é uma chatice. E é claro que  no confronto entre investimento público/ cortes, numa altura em que as pessoas vêem desaparecer muitas conquistas da sua democracia, o discurso de Sócrates até parece um bálsamo, não fosse o cavalheiro ter estado 6 anos como Primeiro-Ministro a dar-nos com lâminas na cara.

O que vimos na entrevista foi o dramatismo habitual de Sócrates, uma lavagem de roupa suja (merecida, talvez, mas que eu não esperava) medonha e a desresponsabilização total. Perdão, houve sim aquele momento em que Sócrates disse que tinha errado por ter aceitado governar sem maioria absoluta. Por pouco não me comovia.

Visto que durante esta semana fomos autorizados a falar de Sócrates, restam-me umas breves impressões. 

Sócrates justifica a sua estratégia governativa a partir de cada momento internacional. Primeiro porque, depois do Subprime, a Europa apostou no investimento para consumo interno. O governo achou óptimo, mas não ouviu aqueles que avisavam sobre o perigo de endividamento. Com a crise das dívidas soberanas, o Governo lá entendeu, e Sócrates gritava todos os dias "isto é uma crise internacional", como se isso ajudasse nalguma coisa e não fosse necessário intervir. Nas elaborações que se sucederam, tanto do orçamento, como do PEC, o Governo falhava consecutivamente. Até que chegámos ao PEC IV, numa altura em que o PSD já era dominado por gente sem sentido de Estado e o ódio a Sócrates era geral.

Sendo um documento de enorme relevância no contexto da soberania, e apesar de não ser obrigado a tal, era de bom tom Sócrates ter partilhado a porposta do PEC IV. Não o fez. Sobre este plano, chegou a dizer (e repetiu na entrevista) que a única matéria relevante era o regime de pensões. Todos sabemos, hoje, que não era só e que mais austeridade se avistava. Sócrates nunca o quis admitir. Acredito, até, que viveu sempre numa ilusão que, a cada passo, se afastava mais da realidade europeia. O político determinado e convicto nunca percebeu que liderar um país é ser, também, lúcido.

A liderança também se faz notar pela forma como envolvemos todas as pessoas, Sócrates afastou uma boa parte delas, alimentando guerras, ódios e rupturas. Na entrevista à RTP utilizou mesmo a expressão "eesa gente". Tem um desprezo inacreditável por aqueles que discordam de si. Ao seu lado, nunca teve ninguém capaz de lhe dizer que um Primeiro-ministro não governa nem comunica apenas para o seu nicho de apoio. A generalização "a direita" também foi interessante. A demagogia é uma forma de reforçar a fidelização dos seguidores.

Sócrates está igual. Eu também. Continuo a acreditar que a determinação, a convicção e a assertividade não fazem de um homem um bom político. Aquilo que melhor define um político é ele decidir no momento certo com genuinidade e preocupação. Para o bem de todos nós, não coloquem a fasquia tão baixa.



publicado por jorge c. às 15:45
link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 27 de Abril de 2011
A chantagem, a dúvida e o raio que os parta

Com os disparates consecutivos que o PSD anda a fazer, nem nos dá tempo para dizer mal do PS. Eu adoro desporto e entre correr 7 km's ou dizer mal do Partido Socialista fico sempre indeciso. E há muito espaço, atenção! O PS é o partido mais escorregadio de sempre da política portuguesa. Até o O'Neill sabia isso. E vocês também sabem, que eu sei. Nunca confiar num partido socialista cujos governos foram os que mais privatizaram em Portugal. É estranho. Ainda assim, e estando a par da malabarice nas entranhas do Rato, a malta ainda o defende porque - convenhamos, por amor de Deus - é o verdadeiro partido da esquerda democrática e republicana e séria e responsável e cuidado com o papão que ataca no armário a partir das duas, qual raparigas do Conde Redondo.

O descaramento dos socialistas a tratar as incoerências dos outros é fascinante. Sobe-se o tom, dramatiza-se um erro e está a tenda armada para o circo. Uma muito óbvia nos dias que correm é a da falta de programa. Isto como se o PS tivesse aí uma extensa proposta de resolução nacional que não a conversa de saco que apresentou em 2009 e que manifestamente não é uma alternativa à situação actual nem tão-pouco tem força revigorada para vingar a sua credibilidade. É que uma coisa é a irresponsabilidade de provocar eleições num período de ataques à credibilidade financeira do país e em que era preciso uma demonstração da força soberana, e outra completamente diferente é a sustentabilidade governativa de um executivo sem soluções e gerador de desconfiança institucional. O PS não se pode esquecer que, mais cedo ou mais tarde, o Governo caía. E caía bem. Era tudo uma questão de compassos mais oportunos.

No entanto, como se nada se passasse e estes tivessem sido os melhores 5 anos das nossas vidas, como aliás se viu naquela demonstração de culto ao Chefe no congresso socialista sem uma linha divergente, sem autocrítica, aí está o PS e os seus apoiantes independentes e imparciais a tentar convencer a populaça que se o PSD ganha é o fim do Estado Social. Ora, se para fazer uma alteração à CRP é quase preciso um tipo dar a mãe e o pai de penhor, era agora o PSD que ia acabar com o Estado Social só porque sim, porque lhes apetece. É preciso um descaramento que nem Iago teve na diabolização do Mouro. Outros Otelos, a mesma dúvida instalada.

Em rigor, estamos a assistir à mais vil chantagem psicológica feita por um partido em democracia: ou nós ou o fim. Este mesmo discurso repetido como um mantra - qual União Nacional!

E valerá a pena continuar a confiar neste discurso do PS? Não é só de Sócrates, é do PS, porque quem alinha em tudo não deixa de ser cúmplice desta aldrabice.

 



publicado por jorge c. às 11:43
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Quarta-feira, 16 de Março de 2011
Caprichos

Corre por aí um movimento entre bloggers intitulado "Já basta!" (por momentos pensei que fosse espanhol) que quer a demissão ou exoneração imediata do governo. Há muitas coisas neste movimento que não fazem sentido, a começar por alguns destes bloggers serem conservadores e, por isso, promover a incerteza em relação a um futuro imediato é paradoxal.

O que move este grupo de bloggers? A queda imediata de Sócrates ou a chegada ao poder? Podem ser questões distintas, tanto que muitos deles não são apoiantes de Passos Coelho. Mas tanto uma como a outra parecem requerer alguma reflexão para se perceber o paradoxo.

A queda de Sócrates, para a maioria dos bloggers que o pretende, pressupõe também a derrota dos "Abrantes", a derrota da "namoradinha" e dos restantes jugulosos. É muito importante compreender que o que está aqui em causa não são motivações políticas, mas um mau-estar social provocado por aquilo a que na melhor doutrina chamamos "excesso de tempo livre". A melhor solução para isto é pedir encarecidamente que as pessoas tenham juízo e deixem de estar tão preocupadas com a vida dos outros.

A segunda questão - a chegada ao poder - é mais complexa e mais séria. Como diz aqui o Pedro Marques Lopes, não se pense que é por haver agitação social e descontentamento nas ruas que se vencem eleições. Chegar ao poder exige muita confiança por parte do eleitorado. O que temos assistido é que uma parte substancial do eleitorado não está muito confiante em nenhum dos partidos com tendência de poder. Logo, é algo que não só tem de ser trabalhado como conquistado. E trabalhar a confiança do eleitorado significa ser coerente, sério e objectivo.

Não se entenda isto como uma confrontação. Eu sei que é mais fácil chamar-me idiota útil do que pensar sobre o assunto. Mas acho que vale a pena parar um bocadinho, descontrair e pensar que o país não é um capricho nosso.



publicado por jorge c. às 13:44
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Terça-feira, 15 de Março de 2011
Erros processuais

Uma das coisas que José Sócrates não percebeu antes de subir ao púlpito, ontem, foi que o processo não é fazer o rascunho das medidas com os parceiros europeus para o apresentar aos portugueses a seguir, mas sim o inverso. O Povo é um elemento do Estado, o governo não.



publicado por jorge c. às 14:11
link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2011
Figadeira

Sócrates: um Presidente não deve falar em crises políticas.

 

Não foi o único a referir-se ao tema nestes termos. Tal como Sócrates, há uma certa mentalidade que parece não compreender muito bem as funções da Presidência ou só as compreende quando é conveniente. À conveniência em matéria de princípios chamamos relativismo - uma velha tradição francesa da qual o socialismo europeu é particularmente fã. Ou refém.

Mas, regressemos ao tema e ao argumento falacioso. O Presidente da República pode e deve falar em crises políticas, principalmente quando elas estão latentes e a objectividade e a segurança institucionais são demasiado importantes para que o Estado não caia em desgoverno. Há crises políticas bem mais graves do que a dissolução da Assembleia da República.

Assim, compete ao Presidente da República mostrar que não se demitirá das suas responsabilidades num cenário de crise política (que pela Europa fora parece ser uma realidade cada vez mais presente) e ao mesmo tempo tentar evitar que ela aconteça cooperando com o Governo para o interesse nacional. Ora, se o Governo não se mostrar cooperante para o interesse nacional e tiver uma narrativa diferente do resto do país, é natural que nessa altura o PR actue em conformidade. Parece-me uma realidade política mais do que óbvia e legítima.

Tentar evitar uma crise política e saber o que fazer no caso dela se tornar inevitável não são dois discursos desconexos e incongruentes. Muito pelo contrário, são o mesmo discurso - o da responsabilidade e do conhecimento das funções da Presidência.

 

Agora sim, estou a fazer campanha e a falar de matéria eleitoral.



publicado por jorge c. às 11:36
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Sábado, 16 de Outubro de 2010
Estamos todos tão cansados

É a maior trapalhada orçamental dos últimos 25 anos, certamente. Depois de 5 anos a convencer o país que o programa do PS era um tratado de progresso, Sócrates conseguiu desresponsabilizar-se da sua ilusão, convencer uma série de pessoas de que isso está correcto e ainda colocar o ónus da responsabilidade na oposição. É, de facto, a maior aberração política dos últimos 25 anos, certamente.

Depois de centenas e centenas de avisos sobre o risco de endividamento, depois de centenas e centenas de avisos sobre o risco de um défice excessivo, depois de centenas e centenas de avisos sobre a fragilidade do investimento, aí está o Orçamento de Estado a fazer os contribuintes pagarem a cegueira e a arrogância do Governo de José Sócrates.

Perdão, estarei certamente a atacar pessoalmente os elementos do Governo e a ser demagógico. Claro. 5 anos nisto. Estamos todos tão cansados.



publicado por jorge c. às 09:05
link do post | comentar | partilhar

Sábado, 2 de Outubro de 2010
Orgulho e determinação

Um dos argumentos favoritos dos socratistas durante este período de Governo socialista era o de que Sócrates era determinado. Várias vezes repeti que a determinação não era um programa político. E como crianças convencidas que os adultos só querem chatear, alguns amigos meus olhavam para o lado como quem diz "está bem, abelha". Agora andam aí, enrascados com argumentos rebuscados. É um espectáculo deprimente.


tags:

publicado por jorge c. às 11:02
link do post | comentar | partilhar

Sábado, 25 de Setembro de 2010
O impasse

José Sócrates é um homem desgastado. Aflito por não querer governar por duodécimos depende do PSD e de Passos Coelho. Por sua vez, o social-democrata está desejoso para ficar por cima e triunfar nas negociações. Para já, PPC age da mesma forma que agiu com Ferreira Leite: aceita a sua posição, diz não ter pressa de chegar ao poder, mas assim que pode mina o caminho com o seu jeito dissimulado.

Para o Primeiro-ministro governar sem poder exibir o seu reflexo não deve ser uma opção. Já sabíamos que Sócrates era um político menor com um ego grande, mas julgo que ninguém acreditou que se deixasse enfraquecer tão depressa. Portanto, o Chefe de Governo vive agora o impasse que também está a ser provocado pela Presidência e a redução dos poderes do Presidente devido às eleições que se aproximam.

No meio do bailarico, o cidadão comum não sabe o que há-de pensar e está naturalmente preocupado. De um lado dá-se a ideia de que o governo socialista esconde uma realidade negra e que estamos à beira do abismo. Do outro, fala-se numa conspiração contra Sócrates.

Para o staff e pseudo-staff dos partidos parece estar tudo bem na cavaqueira do costume de ataques pessoais e na desconversa do "olha que não sôtor, olhe que não". Contentes na sua posição de palermas, os aparelhistas de um lado e do outro divertem-se como se estivéssemos numa Batalha Naval, convencidos de que estão a salvar o país através de propaganda e contra-propaganda.

O impasse do Primeiro-ministro é, por isso mesmo, o nosso. Sócrates é o Primeiro-ministro e se calhar não seria mauzinho de todo, no meio daquilo que se anda a passar, que aparecesse só para dar um olá às tropas. Não sei se isto é pedir demais.



publicado por jorge c. às 08:33
link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Sexta-feira, 16 de Julho de 2010
Crise interna

Apesar de não ter dados concretos, a realidade a que tenho acesso pode servir de exemplo. Empresas de amigos a fechar, amigos desempregados, processos judiciais até ao tecto por causa de créditos, insolvências e por aí fora. Esta conjuntura, nos seus meandros, não é apenas fruto de uma crise internacional. Parte destes problemas teriam sido resolvidos com diferentes políticas e muita gente poderia estar a enfrentar a crise internacional com outra capacidade. Dizer que está tudo bem e que, no fundo, Sócrates é o maior e só não salvou isto por culpa de terceiros, é gozar com estas pessoas. Ou então é não sair muito à rua. O que em muita gente se torna evidente.



publicado por jorge c. às 13:26
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Domingo, 4 de Julho de 2010
Má gente

Continuemos a recordar Sócrates como ele é para evitarmos ao máximo que pessoas como ele cheguem, de novo, ao poder. Todas as histórias por explicar são senão a prova concreta de que a falta de carácter político tem consequências práticas. E esta circunstância da apresentação do livro de Maria de Lurdes traz essa mensagem no bico. Uma mensagem simples que quer apenas dizer "nós continuamos a acreditar neste disparate e só mudámos de ideias para não perder eleições".

Portanto, é muito agradável quando o eleitor - qual cliente enganado na feira - percebe que o grande ímpeto reformista e corajoso desaparece, mesmo depois de uma atitude intransigente que gerou um desconforto social profundo. O que realmente importa é não perder a figura. Hoje diz-se uma coisa, amanhã outra. Deixou de valer a convicção e a política é agora um jogo de votos em que se ganha e se perde. Má gente.



publicado por jorge c. às 12:13
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Sexta-feira, 4 de Junho de 2010
Significados II

Quando é a própria autoridade a prevaricar sabemos que chegámos ao ponto sem retorno e que, agora, só um grande tiroteio para nos voltarmos a erguer. Pelo menos parece-me ser essa a única solução para nos livrarmos de um tempo onde o princípio da não-retroactividade não é respeitado e ainda é instrumentalizado, quando uma ilegalidade se torna numa situação normal para o Estado e este ainda o desvaloriza e quando a opinião pública parece indiferente, conformada.

É claro que não podemos estar à espera de muito melhor porque os nossos pistoleiros são de 2ª categoria. Mas este Xerife já mete um bocado de nojo de tanto tiro no pé que dá, sendo que o pé dele, em rigor, é nosso.



publicado por jorge c. às 09:03
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Sexta-feira, 28 de Maio de 2010
Necessidade e consequência

Vasco Campilho parece estar muito entusiasmado com os resultados de uma sondagem que dá quase maioria absoluta ao PSD. Pois eu não sei se isso será assim tão positivo.

O problema com estes resultados, nesta altura precisa, é que eles evidenciam uma consequência política e não uma necessidade. Se fosse uma necessidade não seria o PSD de Passos Coelho a estar em tal destaque já que, como temos vindo a ver, não obstante a assunção de partilha de responsabilidades que lhe competia, o líder do PSD tem sido calculista no sentido eleitoral. Assim foi com o TGV, assim foi com a comissão parlamentar de inquérito e assim tem sido relativamente a inúmeras matérias das quais se destaca a matéria de impostos.

Ora, nós não necessitamos de um Primeiro-ministro que seja politicamente calculista. Nós necessitamos de alguém que tenha total convicção no que está a fazer e não esteja tão preocupado com o modo de o fazer. Nós necessitamos de firmeza na liderança e não de plasticina política moldável ao sabor das circunstâncias.

Tudo o que acontecer será, então, uma mera consequência das circunstâncias e não uma afirmação convicta da vontade soberana. Será apenas cansaço, o que não contribui em nada para a consciência.

Se o Vasco fica satisfeito pela vitória através do cansaço, eu não.



publicado por jorge c. às 11:17
link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Sexta-feira, 14 de Maio de 2010
Os pontos nos i's

Sejamos claros: o que está em causa não é um aumento de impostos. Num Estado-providência que precisa de se equilibrar em tempos de crise, o aumento da receita é sempre a solução mais provável. O problema está, isso sim, na cegueira do governo durante dois anos. Lembremo-nos de Manuel Pinho e do fim da crise. Sócrates e a comitiva, sôfregos por obra feita, não quiseram ouvir os alertas de precaução dados por muita gente e agora não lhes resta outra alternativa que não furar o programa de governo, aquele em que votaram os portugueses.

 

Mais uma vez, a Dra. Manuela Ferreira Leite avisou. Era essencial há dois anos termos tomado medidas rápidas e eficientes para resolver o problema das PME's de maneira a estas poderem responder e combater a recessão. Isso não foi feito. O governo continua a preferir culpar o exterior e não assume qualquer responsabilidade do falhanço da sua política e vai exigir aos portugueses ainda mais. Não basta a taxa de falências e de consequente desemprego. Não basta a baixa de consumo e de produção. Seremos sempre nós os primeiros e únicos responsáveis por tudo. Seremos nós a pagar, sempre. Como diz a outra: habituem-se. Queixem-se do Papa - "é um remédio".



publicado por jorge c. às 13:17
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Sexta-feira, 30 de Abril de 2010
A ânsia do poder

Anda por aí uma gente a aproveitar a subida do PSD nas sondagens para tentar sugerir Passos Coelho como a solução, visto ele ter sido muito responsável nesta campanha de salvação nacional pelo bloco central Armani.

Não é bem Passos Coelho que nós precisamos que seja responsável, mas sim José Sócrates. Não só responsável como consciente. Em primeiro lugar, que ouça a oposição e colabore para que a situação, pelo menos, não piore. Depois, seria interessante o Primeiro-ministro pensar em abandonar o cargo a médio-prazo tentanto deixar a casa mais ou menos arrumada. Isso sim seria responsabilidade.

O que não pode acontecer é uma saída imediata do governo. Não só porque não há muita certeza daquilo que é Passos Coelho (a postura de responsabilidade numa conferência de imprensa não me basta, lamento), como também seria totalmente desadequado ao momento uma mudança radical. Essa mudança é necessária, sim, mas não agora que precisamos de estabilizar o barco, tirá-lo das águas agitadas.

O oportunismo tem limites. Isso também é responsabilidade.



publicado por jorge c. às 15:19
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Quarta-feira, 28 de Abril de 2010
Da confiança

Se havia quem tivesse dúvidas por que razão é tão importante a avaliação e a certeza do carácter dos nossos políticos e principalmente do Primeiro-ministro, os acontecimentos dos últimos dois dias parecem deixar bem claro o motivo pelo qual tanta gente insistiu no assunto.

Se por um lado, ao que vamos sabendo, as agências de rating funcionam na base da especulação e é essa especulação que vai fazer mexer ou não o mercado, por outro lado é necessário que a credibilidade política do Primeiro-ministro seja a melhor para que os cidadãos nele sintam confiança. Se calhar, e ao contrário da desadequada deputada Medeiros, não é muito bom o chefe de governo mentir na Assembleia da República. Se calhar também não é muito boa ideia deixar por esclarecer casos que põem em dúvida a seriedade do seu passado.

As agências de rating podem até ser o maior demónio do mundo. A verdade é que se não houver confiança na governação não há nada a fazer, nem para dentro nem para fora.



publicado por jorge c. às 23:01
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

longe demais

Acabo de ouvir a declaração conjunta do Primeiro-ministro e de Pedro Passos Coelho. No meio de tanto lugar comum fico com a ligeira sensação que ninguém sabe muito bem o que fazer a não ser encenar uma estabilidade política que todos sabemos que não existe. O problema é político porque é a má política que castra a economia, que impede o desenvolvimento e a estabilidade daquilo que é o grosso do mercado português e que são as PME's. Não podemos aceitar mais desculpas e rodriguinhos. Alguém tem de se responsabilizar.



publicado por jorge c. às 13:51
link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 5 de Abril de 2010
o vento sopra, o barco tem medo

É incrível como durante este retiro pascal podemos regressar, por breves momentos, ao mundo dos comuns, longe deste espaço iluminado e informado que é a blogosfera. Pois eu, em profundo desmame de internet, confinado aos jornais com notícias de ontem, fiquei sem acesso a informação essencial para a formulação da minha consciência política e limitei-me a absorver uma espécie de evidência política. E diz-me essa evidência política que Portugal continua estranhamente sem Primeiro-ministro. Bem, dirão uns que Sócrates está a gerir a imagem para dar tranquilidade aos portugueses. Spin barato. A mim não me dá qualquer tranquilidade olhar para o leme de um barco à beira de uma falésia rochosa e não ver lá ninguém.



publicado por jorge c. às 12:45
link do post | comentar | partilhar


Um blog de:
Jorge Lopes de Carvalho mauscostumes@gmail.com
pesquisa
 
arquivos

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

tags

todas as tags

blogs SAPO
visitas
subscrever feeds