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Manual de maus costumes

Manual de maus costumes

09
Mar11

Mais demagogia

jorge c.

Tem sido o meu cavalo de batalha nos últimos tempos e por vezes chega a parecer uma obstinação. Acontece que não acredito que uma sociedade onde a demagogia reina tenha as melhores condições para evoluir democraticamente. A cidadania democrática não é compatível com a demagogia. Só que para travar esta batalha não posso ir a acompanhar o meu lado da trincheira ideológica ou partidária. Quero com isto dizer que não existe demagogia apenas quando é o meu opositor a cometê-la.

Foi isto que vimos nos últimos dois ou três dias a propósito de mais um comentário infeliz de Miguel Sousa Tavares, o mesmo que, como me lembravam no Sábado, disse um dia que os estudantes não queriam pagar propinas para poderem beber copos. Mas é bem feito. Aqueles que vão promovendo o protesto da geração à rasca vão confundindo os problemas da classe política com problemas de ética individual enquanto causa da sua situação concreta. Por isso, acabam por beber do próprio veneno ao serem comparados com aqueles imbecis que querem demitir a classe política. Demagogia com demagogia se paga.

Dir-me-ão que há gente no protesto que não confunde o que quer que seja e que só vai protestar porque está indignado. Mas eu não posso saber isso a partir do momento em que não há uma narrativa reivindicativa. O que há é um conjunto de reivindicações individuais sem representatividade.

Mas não foi isso que me trouxe aqui. Foi a demagogia de MST. Como é que alguém espera que o levem a sério quando o próprio, ao denunciar uma particularidade de um movimento, comete exactamente o mesmo erro? O que mais me intriga é como é que não tem noção que o que se está a dizer é, no mínimo, incoerente.

Aqui está um exemplo de um discurso contraproducente que se limita a ser sobranceiro por ser pouco rigoroso, o que nada ajuda a um debate sério. Começamos todos a acusar o outro de demagogia usando demagogia. Primeiro começa por ser patético e uma pessoa vira só a cara e faz de conta que não ouve, só para não ter vergonha alheia. Depois, começa a ser preocupante porque deixa de haver capacidade de auto-crítica. E isso é o que mais falta nos faz: auto-crítica.

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