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Manual de maus costumes

Manual de maus costumes

13
Abr11

Um erro

jorge c.

Confesso que não acompanhei o congresso do Partido Socialista com atenção. Nunca é nada de verdadeiramente interessante, não apenas pelo PS ser um partido desinteressante, como também por já esperar a ostentação da propaganda interna e da ideia de que a culpa, em momento algum, é "nossa". O PS é um partido dissimuladamente sectário. Ao contrário do PCP que é assumidamente sectário e onde há uma absoluta submissão partidária, no PS passa sempre a ideia de "partido da democracia" e da pluralidade, o que de facto não acontece como bem se pôde constatar com a total falta de noção da realidade e da responsabilidade que o PS tem efectivamente na conjuntura actual. Os seus militantes e simpatizantes viraram-se para Meca. E isto é muito mais perigoso porque nunca sabemos o que realmente pensa o partido para além da propaganda e do spin.

Com o país a viver um período de instabilidade sócio-económica, negar responsabilidades governativas é uma postura com traços pouco democráticos e de um servilismo que não deve ser tolerável no debate político democrático. É claro que o PS tinha necessidade de se galvanizar e que este congresso seria importante para unir o partido para uma eleição para a qual sai bastante fragilizado, a avaliar pela opinião pública mais mediática. Isto não significa, porém, que um congresso inteiro seja dedicado ao principal partido da oposição como se os papéis da governação estivessem invertidos. A culpabilização de que falou, por exemplo, Luís Amado, não é o caminho. Faltou ao PS contrariar a falta de soluções. É que o PS também não as tem, não sei se todos reparámos. Muita emoção e amizade e coesão, mas definição de conteúdos: zero.

É verdade que a unidade parlamentar em torno do PEC falhou numa altura em que não poderia acontecer. Mas também é verdade que não há certezas sobre a boa-fé do Governo na natureza dessa crise política. Muito pelo contrário. Também não podemos esquecer que num cenário inicial de crise, sem sabermos muito bem o que se estava a passar, o Governo insistia em investimentos pouco seguros ou até despropositados face à nossa situação financeira. Tivemos, aliás, um ministro que em 2008 garantia que a crise já tinha acabado, como tivemos garantias de que estava tudo bem ao longo dos últimos dois anos. E quando o cenário se agravava havia sempre uma desculpa. Ainda há. Além disso, para um partido que se diz reformista e progressista, afastar ministros com a determinação política de Maria de Lurdes Rodrigues ou Correia de Campos diz muito sobre as suas reais intenções à volta dessas reformas e das suas prioridades. O Partido Socialista não é um partido de confiança. Luzes e barulho à parte, neste congresso deu para perceber isso mesmo. Votar no PS é um erro.

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