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Manual de maus costumes

Manual de maus costumes

06
Mai11

Touched by the hand of Baradei

jorge c.

Como seria de prever, o Benfica não me deixou espaço de manobra. Mas a vida é assim mesmo - ganhamos nuns sítios e perdemos noutros. Ontem, por exemplo, ganhou-se muito em dois momentos: a conferência de imprensa da ElBaradei e a palestra de Francis Fukuyama. Eu, pelo menos, ainda ganhei um abraço do Baradei - qual touched by the hand of God - e com um cosmos bem alinhado tudo se há-de resolver pelo melhor no Egipto. É pensar global, pensar positivo. Assim nos foi dizendo o Prémio Nobel da Paz enquanto respondia a questões não apenas relacionadas com o seu país. Falou-se em transição lenta, em democracia, em pluralismo, em reflexão, consensos alargados, Constituição - tudo requisitos fundamentais para que se candidate. Mas sim, há uma candidatura à vista, admite Baradei numa postura serena e aparentemente consciente. Vai correr tudo bem, com a graça de Deus - o outro, que com o da Moita a conversa foi outra (meteu revoluções e redes sociais, enfim, um assunto que poderemos abordar mais tarde numa avaliação global, lá está, das conferências).

 

Àquela hora já se ouvia a multidão pelos campos "Frankie! Frankie! Frankie!". Ou então era apenas eu que aguardava ansiosamente nos corredores, ao pé de gente bonita e bem disposta, a chegada de Mr. Fukuyama que traria certamente a matéria do seu novo livro para nos falar dos sistemas actuais, nomeadamente do médio-oriente e por aí fora até à China. Foi isso que fez. Falou de sistemas, da sua arquitectura, da sua filosofia e dos seus potenciais erros. No fundo fez um breve resumo daquilo que está no seu livro: poder político, primado da lei e finanças. Sem estas três característica, diz Fukuyama, a malta não vai longe, como se pôde constatar ao longo da História onde, garante (20 anos depois do seu tão falado Fim da História), o problema poderá estar no Imperador e não no Império. Quanto à China, terra da abundância que tem andado na boca do povo - que é como quem diz conferencistas -, não será facilmente possuída à bruta por esta nova vaga de revoluções, o famigerado uprising capitalista, perdão! democrático. A China, ela própria está a modificar-se, está a crescer economicamente, e essa nova narrativa não será familiar a uma revolução. Mas não se enganem, ninguém pode prever o que vai acontecer, diz o nosso ex- Zandinga da filosofia política americana. E lá mandou uns vivas à democracia. Houve comoção.

 

Portanto, um dia repleto de emoções, não obstante Mira Amaral e um painel fraquinho de onde sobressaíram indiscutívelmente

Pauline van der Meer Mohr (este copy/paste foi demasiado denunciado) e David Held. Mais um painel onde se falou, no essencial, de ética, integridade e história (estudo e cultura) para uma sociedade melhor preparada para os desafios globais, em tempos de crise financeira, onde a honra e a seriedade serão factores nucleares. O Prof. Zoega poderia ter feito um brilharete, mas estava nervoso e desconfortável, o que não nos permitiu perceber por que razão falava da dívida pública e privada. É verdade que ninguém compreende tudo o resto, mas a crise financeira em particular, apesar dos esforços dos conferencistas. Insisto apenas no maravilhoso sotaque do Dr. Mira Amaral.

 

Agora vou até lá outra vez, que estou atrasado. Sejam amigos!

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