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Manual de maus costumes

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06
Set11

Ensino Superior

jorge c.

Numa altura em que as instituições de Ensino Superior estão absolutamente concentradas no seu enrollment, não há jornal americano que não fale no assunto. Por cá, é matéria pouco (ou nada) explorada. Mais cedo ou mais tarde, teremos de começar a discutir a filosofia do nosso Ensino Superior. Nos próximos anos, muita coisa mudará.

Trata-se de uma matéria sensível porque envolve duas realidades estruturais da nossa sociedade: a formativa e a financeira. A sua existência é indissociável. Porém, a discussão entrincheira-se em torno das duas devido a dogmas que podem, ou não, fazer sentido nos tempos que correm. Um dos maiores dogmas do Ensino Superior encontra-se na sua estrutura académica, no valor da investigação e na centralidade do docente.

Podemos encontrar abordadas neste extraordinário artigo no New Criterion algumas destas temáticas. Numa crítica muito interessante a 3 obras sobre o tema Ensino Superior, são apontadas as fragilidades das duas facções neste debate.

No entanto, o seu autor continua a insistir naquilo que me parece um erro fundamental e que corrompe ab initio a discussão. Quem é afinal o beneficiário do Ensino Superior? Será o académico ou será o estudante? O que procuram as entidades empregadoras nos licenciados? E o que esperam os estudantes das suas instituições de ensino?

Não podemos, de modo algum, dissociar o rigor e a excelência académica dos serviços que as Escolas podem disponibilizar ao Estudante. O empregador procura, hoje, cidadãos completos, com capacidade de resposta às necessidades prementes. Ao dirigir toda a sua atenção para o âmbito académico e científico, as direcções não estão a ir ao encontro das exigências do exterior e estão, uma vez mais, a fechar-se num circuito elitista e menos plural.

É este, em suma, o erro de James Pierson ao ignorar o potencial dos serviços não-académicos, administrativos, que, no seu entender, constituem um custo demasiado elevado para o seu resultado.

Veja-se o caso de outra particularidade que o próprio traz à colação: a inconsequência de políticas de investigação para as humanidades. Seria fundamental que, nos serviços não-académicos, as Escolas tivessem mais colaboradores ligados às humanidades de forma a responder melhor a necessidades contemporâneas.

Por último, a questão do professor/investigador parece-me de grande relevância. Já a deveríamos estar a ter em Portugal. Fará sentido um docente estar concentrado na investigação ao mesmo tempo que é exigível que se foque na formação das centenas de estudantes a seu cargo?

Tudo isto precisa de muita reflexão. E de muito realismo, já agora.

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