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Manual de maus costumes

Manual de maus costumes

10
Set11

A well respected man

jorge c.

Não sei ao certo se já estaríamos em Março. O inverno ainda se mantinha generoso, prolongando-se como é desejado. Gosto muito de Lisboa sob chuva. É uma cidade conservadora. Quando entrou, já tarde, fiquei com a sensação de que aquele momento faria todo o sentido para o resto das nossas vidas. Da minha, em particular. O meu ganho foi muito maior.

Mas, voltemos atrás. A primeira vez que o vi vestia umas asas de anjo, como quem veste uma farda. Estava ali atrás, parado, com um ar meio tosco. Deu-me uma súbita vontade de sorrir. Como se a sua profissão fosse a ternura. "O que fazes da vida? - Divirto as pessoas com ternura." A partir daí fui acompanhando as suas crónicas que iam sendo espalhadas por onde desse. Sempre pensei nele como um tarefeiro da escrita. Coisa feia, talvez. Mas, se virmos bem, nem seria tão mau quanto isso se a tarefa não fosse o serviço mas, antes, a missão. Depois surgiram os blogs, a rádio, a televisão, novamente, e passaria a acompanhá-lo com mais regularidade. Começa, então, a desenhar-se melhor uma figura com características muito bem definidas.

Naquela noite, e no preciso momento em que entrou, essa imagem consolidou-se. Conversámos ao jantar, trocando cumplicidades como quem troca cromos. A música, a poesia, o humor. Coisas que, no fundo, nos aproximam ainda hoje mas, não mais do que essa forma única que o Nuno Costa Santos tem de se relacionar com as pessoas, sempre atento, sempre à escuta, cheio de humanidade atlântica nos olhos. Da sua generosidade intelectual nasce uma intimidade que nos envolve com facilidade. Aprendemos a partilhar as ideias com maior naturalidade e no fim é muito provável que ele nos diga "isso é uma grande frase".

Hoje, o facebook anunciou-me que o Nuno faz anos. Já ninguém usa caderninhos para apontar datas. O filofax está morto. O facebook veio substituir os bairros e só com muito boa vontade os poderemos reconstruir, de saco de plástico na mão, atentos aos traços das esquinas. Às vezes, quando dou uma volta aqui pelo meu bairro, penso nele e pergunto-me: o que é que o Nuno diria? Nunca consigo chegar lá. Mas, o que quer que fosse, seria bom.

 

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