um país em piloto automático
É com alegria que poderemos continuar a ver António José Seguro apresentar propostas concretas. O secretário-geral do Partido Socialista gosta é de apresentar propostas-concretas. Ser uma alternativa democrática, com uma estratégia de influência e impacto europeus? Não, a ele não o apanham. Ele vai é apresentar propostas concretas - das boas. Vai ser propostas concretas todas as semanas, até 2015, ou até o PS convocar eleições.
Ora, como era nisto que uma dissolução da AR cairia, mais vale deixar o país em piloto automático, com um governo sem capacidade de resposta e obcecado com uma política que o próprio ex-ministro das finanças admitiu que fracassou. As propostas concretas de Seguro não são, senão, uma forma de fugir à apresentação de uma orientação diferente para o país. E como para incompetente já temos Passos Coelho, é deixar estar como está.
Eu até acredito que tenha sido este o pensamento de Cavaco Silva. O Presidente diz que percebeu o sentimento dos portugueses. Concordo. Talvez o sentimento dos portugueses seja o da resignação ao deboche institucional a que temos vindo a assistir nos últimos dois anos; à acomodação a um processo de empobrecimento colectivo com destino à perda de dignidade. É o chamado Síndrome de Estocolmo. É para o nosso bem. Ficamos pobres e destituídos de estrutura institucional mas pelo menos as contas ficam em dia. Ou não.
