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Manual de maus costumes

Manual de maus costumes

20
Nov10

O orgulho da Nação

jorge c.

É claro que se continua a usar o Eça. Como não haveria de se usar?

O Presidente da República vai oferecer um cãozinho de bronze a Obama, em homenagem ao nosso cão na Casa Branca. Luís Amado leva a filha para conhecer o Presidente Americano. É todo um programa. Chego mesmo a pensar que a Cimeira da Nato foi apenas um pretexto para uma visita do Chefe de Estado americano. Ao menos que mandassem fazer um canito de louça das Caldas e sempre estávamos a promover a indústria tradicional.

Podemos perder todos um pedacinho a dizer que somos pequeninos e tal. Mas não adianta nada. Vamos é pensar que temos uma classe política medíocre e que tão depressa isso não vai melhorar.

É na forma como encaramos a política que está parte da resposta a este problema. Perdemos boa gente na política todos os dias e ganhamos saloios que entendem estas situações como ajudas de custo emocional. É triste, só isso. Muito triste.

14
Nov10

Do Teatro e da Civilização

jorge c.

Uma das maiores características do Teatro é a de ir ao fundo do poço da civilização e encontrar a génese do problema. Durante séculos assistimos a uma dramaturgia inspirada em idiossincrasias e costumes. O génio dessa dramaturgia encontra-se na sua subtileza e na relação abstracta que está subjacente ao caso concreto. Talvez por isso se distinga uma tragédia de um drama, pois se damos valor à situação concreta temos um drama, um artigo novelesco, e não uma tragédia esmagadora e brutal. O Teatro trata, por isso, as questões de fundo, os princípios e os valores que uma sociedade resolveu atirar pelo cano abaixo.

Podia entrar num registo pessimista criticando o que se vai fazendo agora. Mas, parece-me mais relevante observar que é a nossa falta de entendimento dos clássicos que é mais grave. Se não compreendermos que Otelo é sobre a dúvida e não sobre uma intriga amorosa ou que D. Juan é sobre a hipocrisia e não sobre a promiscuidade, dificilmente encararemos a nossa própria vida de forma lúcida. Porque não ter discernimento para distinguir os princípios da espuma dos dias é estarmos alienados do que realmente importa.

A vida, como o Teatro, não é uma novela.

14
Nov10

Os limites da ética

jorge c.

Em matéria de relevância política, aquilo que o Correio da Manhã publicou sobre as conversas da inenarrável Edite Estrela é, como todos deveríamos saber, menos que zero.

Nos limites da legalidade e da ética, a comunicação social privilegiou sempre o domínio da segunda, conhecendo e compreendendo o risco da ultrapassagem da primeira. Era, portanto, uma excepção. Uma excepção que se torna legítima quando a matéria em causa é do interesse público e vem, manifestamente, contribuir para a higiene do Estado de Direito.

Parece que hoje estamos já noutro nível de discussão. Ao publicar uma escuta sem qualquer interesse público e que não passa de uma conversa privada entre dois amigos, o Correio da Manhã está a ultrapassar os limites da ética e a reduzir o debate sobre a publicação de escutas de interesse público ao nível do lixo.

Defender esta premissa - os limites da ética - é um princípio e nada tem que ver com motivos partidários. Nem pode ter.

Pela saúde de todos nós, não deixem que isto se torne a regra.

14
Nov10

Todas as rumbas deveriam ser assim

jorge c.

Bastaram dois discos. Estava lá tudo: um manual de cinismo e filosofia de café. A bem dizer, bastou-me uma frase que ouvi na rádio logo após a primeira malha de guitarra. "A man was standing on the top of his head looking down through the ruins of love anda welfare state. Oh, what a mess to contemplate".

Quando estamos no final da adolescência, prontos para deixar de dramatizar (é um processo longo de desmame), estas coisas fazem todo o sentido. Até porque bebemos para isso. É o culto de uma nova forma de inteligência que acabou de encontrar expressão num disco brilhantemente intitulado Fossanova. E é isso mesmo, a sátira cobarde ao nosso drama.

Poucos compreenderam a banda que chegava de fato para brindar a decadência consentida. Belle Chase Hotel foi um fenómeno incompreendido e talvez ainda o seja, hoje, num país que convive mal com a ironia e a genialidade do auto-sarcasmo. Mas quando falamos deste gang de Coimbra, não podemos deixar de lembrar a sua estética e a personalidade descomprometida. Era como uma injecção ingenuamente pretensiosa de história da música.

Que a noite de Sexta-Feira passada seja aquilo que era anunciado logo no início de 1999: um longo e quebrado cabaret.

 

11
Nov10

Das obrigações em geral

jorge c.

Nunca compreendi muito bem como é que a mentalidade de diabolização do credor e vitimização do devedor conseguia triunfar. Os meus colegas de faculdade até se chegavam a confundir nos exames de Obrigações por esse mesmo motivo. Ela é o corolário da não assunção de responsabilidades. Se isto é preocupante a uma escala pequena, diria até individual, imagine-se numa escala macro-económica.

Há, agora, quem nos queira convencer de que dever aos credores não é um problema e que a culpa da dívida nem sequer é nossa. Tudo isto desresponsabiliza politicamente quem toma decisões de risco.

Who cares? A responsabilidade política está sobrevalorizada, não é verdade?

10
Nov10

Exportar é preciso

jorge c.

O Dr. Faria de Oliveira foi a Gaia reforçar aquilo que havia dito ontem o Presidente da República: devemo-nos preocupar e concentrar nos mercados primários. Até aqui tudo bem. Mas, como impulsionar algo que necessita de dois sectores fundamentais (o primário e o secundário) que estão, neste momento, decrépitos? Com um sector terciário confuso e desorganizado, torna-se difícil não entender estas palavras como meros lugares comuns, algo que temos de dizer para disfarçar a nossa total impotência relativamente aos mercados secundários. É que - vai-me desculpar o Dr. Faria de Oliveira - a preferência dos portugueses nos produtos nacionais a curto prazo é algo demasiado subjectivo para que possamos ter alguma confiança nela.

Tenho defendido a suspeita de que pouco temos para exportar, que o volume de negócio da grande maioria das empresas portuguesas é insuficiente para concorrer lá fora e que podemos estar a apostar nos mercados errados (Angola, por exemplo). Posso perfeitamente estar enganado, até porque essa minha suspeita não passa de mera especulação. Acontece que até agora nada me provou o contrário, salvo raríssimas excepções.

09
Nov10

Vinhos de Portugal

jorge c.

Sogrape has not only succeeded in creating what is considered by many to be the quintessential Portuguese wine, Mateus, they have managed to move beyond its origins to succeed in both volume brands and with some of the most iconic wines in Portugal. These achievements are a testament to the sense of purpose of the Guedes family, still running this family-owned firm. For this willingness to continually develop, for its ability to successfully promote its many brands and for its role as a flagship Portuguese wine company, we are proud to award Sogrape Vinhos the Wine Star European Winery of the Year 2010.

Casos de sucesso, é disso que estamos à procura? Pois parece que a comunicação social portuguesa ignorou um dos prémios mais importantes no mundo dos vinhos. Este prémio de Melhor Produtor atribuído à Sogrape Vinhos é um reconhecimento de qualidade, não só à empresa como aos vinhos portugueses. Já no ano passado 3 vinhos portugueses estiveram entre os 20 melhores na escolha anual da Wine Spectator, sendo que dois deles eram também desta empresa.

Estamos a falar em matéria de exportação e, acima de tudo, em valorização cultural. Somente isto.

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Jorge Lopes de Carvalho mauscostumes@gmail.com

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