Imprensa falsa
Há umas semanas recebi um e-mail que dava a conhecer uma notícia sobre os mineiros chilenos. Era uma notícia caricata em que um dos mineiros tinha descoberto que a mulher estava grávida de cinco semanas. É fazer as contas. Concentrei-me na piada e não dei grande atenção ao factor noticioso. Numa posterior troca de mails com a Shyznogud, ela, que é muito mais atenta a estas coisas, acabou por descobrir que se tratava de uma notícia do Sensacionalista - um jornal humorístico ao estilo do The Onion (o nosso Inimigo Público, vá). Não foram precisos 2 minutos.
Hoje, a Shyznogud mandou-me esta pérola (via Facebook). Parece, então, que os jornalistas do Diário Económico não quiseram perder os tais 2 minutos para se certificarem da factualidade, nem para perceber a natureza do meio de comunicação que estavam a usar como fonte. Até nos podemos rir, ao início, mas depois começamos a sentir vergonha do alheio. O passo seguinte é começarmos a recear que isto esteja a influenciar a nossa percepção da realidade a partir da informação a que temos acesso.
Ora, isto suscita algumas questões que já foram colocadas, e bem, neste post do Jugular. Outras questões suscitará, como a qualidade das redacções, dos cursos de comunicação social, os mercados, etc. Mas para já isto serve.
Numa altura em que se fala tanto de censura e manipulação, parece que se esqueceu de discutir a qualidade do jornalismo face à urgência de informação tão reclamada pela internet. Se hoje o mercado dos media é renhido num espaço tão pequeno como o nosso, será que se vai prescindir de um conjunto de princípios basilares do jornalismo para responder tempestivamente, mas sem critério, a essa urgência?
