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Manual de maus costumes

Manual de maus costumes

13
Mai10

Virtualidade real

jorge c.

Algo está podre no reino da internet. Não é de hoje, é certo. Os blogs, ou melhor, as caixas de comentários dos blogs já eram um espectáculo bonito de se ver. Mas, agora, com o crescimento das redes sociais e a facilidade de interagir e criar posts, uma realidade escondida manifesta-se de forma algo assustadora e alarmante. They're out there.

 

Tomemos de exemplo o Facebook, a rede social mais utilizada nos dias de hoje. Não é só a estranha ideia de fazer amigos ou misturar na mesma página pessoas do nosso meio familiar com pessoas do nosso meio profissional, não é só a exposição da nossa intimidade que reside no pormenor do comentário de um amigo visível a todos, nem a doença das vacas e dos morangos. Acima de tudo, o que mais preocupa no Facebook não é esse voyeurismo ou futilidade de comunicação, mas sim a demonstração de ignorância e a dimensão da demagogia social face à política.

 

Falamos de uma rede social onde todos os dias surgem centenas de grupos a que nos podemos juntar: o grupo de pessoas que odeiam Sócrates, o grupo de pessoas que ama Sócrates, o grupo de pessoas que quer a prisão imediata de Pacheco Pereira, o grupo de pessoas que gosta de criar grupos de pessoas, o grupo de portugueses que foi a IX Grande Feira Mundial, o grupo de pessoas que gosta de coçar a perna esquerda, o grupo de pessoas que odeia, que quer, que exige, que não admite, que mata e que esfola. Enfim, um conjunto de cidadãos, a grande parte maior de idade, que revela excesso de tempo e uma total falta de bom senso. A demagogia que sai desses grupos é tal que uma grande percentagem destas pessoas informa-se das situações a partir do Facebook. Veja-se o caso recente de Inês de Medeiros ou do Papa. A ignorância, o mais perfeito desconhecimento dos factos e o comportamento acéfalo das massas encontra aqui a sua maior montra de sempre.

 

Há uns meses, a propósito das eleições, criei com meia-dúzia de delinquentes, perfeitamente identificados aqui, um blog para o efeito, e a certa altura criou-se um desses grupos que ironizava uma situação em particular com uma protagonista de uma das campanhas. A piada durou dois dias, ou nem isso. Durou o tempo de começarem os comentários de ódio contra a pessoa em causa e até um jornal tomar o motivo do grupo como sério e fazer disso rodapé de primeira página. O disparate foi tanto que até por caixa de comentários nos quiseram entrevistar.

 

Com a sua falta de iniciativa e incapacidade de cidadania, muita gente encontrou nestes meios a forma de projectar as suas mais íntimas castrações. O uso dado às redes sociais deixou de ter a utilidade inicialmente pretendida e transformou-se num centro de loucura virtual. A difamação e a injúria e a inconsciência do efeito que o que se diz pode ter reinam. Os media, na sua habitual ignorância das novas ferramentas, começaram a apanhar tudo o que caía na rede sem colocar limites. É um espelho assustador do que anda por este país.

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