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Manual de maus costumes

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08
Jun10

A direita da causa perdida

jorge c.

Quando falo de diabolização da direita não estou a afirmar que esse é o mal do mundo. Digo apenas que é uma forma incorrecta e desonesta de discutir política.

Se essa forma é um tique da esquerda, também a direita tem tiques maus e que a fazem perder terreno no combate político. Um desses tiques é o moralismo apócrifo e um certo excesso de emotivismo político. Viu-se bem isto na discussão do casamento entre pessoas do mesmo sexo, onde não houve uma posição jurídico-institucional forte por parte da direita que, em vez disso, andou a pregar aos peixes sobre a anormalidade de uma relação homossexual e sobre a família tradicional. A direita perde a concentração nestes momentos e deixa-se levar por um conjunto de preconceitos que não são sequer relevantes na discussão. Se é uma relação jurídica que está em causa é nesse sentido que a questão deve ser discutida. Se é uma instituição que está em causa é nesse sentido que deve ser discutida. O plano subjectivo provoca a guerra identitária e isso sai fora do âmbito da direita.

Em rigor, a direita é institucionalista e comunitária. O seu espaço de discussão política não se pode confundir com as posições de pequenos grupos dentro desse bolo ideológico. O que esses grupos, por norma elitistas, provocam é a massificação de um pensamento político acéfalo baseado no ódio pelo próximo e na ignorância.

A tendência para a futilidade ideológica é, portanto, muito alta. Tal como aconteceu na esquerda dos anos 60, a direita acha agora que também é esteta e passou a desfilar com vaidade um catolicismo falso, fala no liberalismo com uma sofisticação serôdia e concentra as suas forças no combate à esquerda caviar em nome de um suposto conservadorismo. Ora, caviar de um lado e lata de atum disfarçada do outro, pelo menos comidinha não há-de faltar à rapaziada.

Falta-lhe, assim, o estudo e a concentração necessárias para uma conquista política relevante, baseada no espírito de preservação da comunidade, na defesa das instituições, no rigor jurídico, na aceitação e diversificação das relações sociais e jurídicas, na sustentação ambiental e cultural. Uma maior consciência da importância da comunidade e uma maior dedicação a esta fortalece a direita. O identitarismo estrangula-a.

Com efeito, a direita não tem de ser católica. Ela tem de defender o catolicismo na sua perspectiva cultural e institucional. Não tem de lhe obedecer aos cânones, mas sim suportar os costumes inseridos na cultura ao longo dos séculos. E quem fala no catolicismo fala também noutras questões como as forças policiais, o regime político e a natureza do Estado, em particular do seu povo.

O conservadorismo tem que ver com a sustentação actual e não a de há 40 ou 50 anos.

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