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Manual de maus costumes

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28
Set10

Calimerice

jorge c.

Confesso que ainda hesitei antes de comentar aqui este post de Domingos Farinho. Não queria ser catalogado como um odioso opositor do Governo, por Deus, nem pensar! Mas esta calimerice chateia-me e, com o devido respeito, Domingos, isso foi de Calimero (nós, os iletrados, só sabemos relacionar com coisas menores como desenhos animados).

Não querendo alimentar qualquer polémica com o lado do bem, tudo aquilo me merece meia dúzia de palavras. Em primeiro lugar, torna-se cansativo esta teoria de que estão todos mal e só o Governo é que fala com clareza. Isso não é verdade. Mas parece-me ser um vício do pensamento político afirmar estafadamente que "vai toda a gente ao contrário, só o meu filho é que marcha bem".

Em segundo lugar, tendo em conta os dados a que vamos tendo acesso, e eu confesso-me um leigo em matéria económica, não me parece muito correcto entrar no discurso de que os comentadores é que alimentam isto, os jornais alimentam aquilo, a oposição é responsável por aqueloutro. Os índices de que vamos tendo conhecimento são também (vá lá, admitamos, só um bocadinho) uma causa da governação, senão o Governo não estava ali a fazer nada e estar ou não estar ia dar à mesmíssima coisa.

Em terceiro lugar, quando li aquela parte da "linguagem agressiva e hiperbólica, a ausência de fundamentanção, o excesso descredibilizante, a confiança cega nos aliados, a demonização total dos inimigos, a divisão do mundo entre aliados e inimigos", juro que achei que o Domingos se iria referir à quantidade absurda (isto não é uma hipérbole) de barbaridades que disseram de Manuela Ferreira Leite. Mas afinal não. O Domingos prefere pegar nisso e calimerizar mais um pouco o pobre Governo vítima de bulling político.

Por último, merece-me também um comentário a parte dos "iletrados". É provável que o Domingos viva num meio erudito. Mas o cidadão comum que não tem acesso a informação especializada vive muito da informação politizada, chamemos-lhe assim. Isso irá certamente determinar o seu juízo livre. A sensibilidade política do cidadão não depende de factores específicos, técnicos, mas da sua percepção da realidade segundo a multiplicidade de informação que lhe chega. E é hoje perfeitamente legítimo desconfiar da governação. O que não parece muito lógico é a vitimização do poder 5 anos e meio depois.

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