Quinta-feira, 2 de Dezembro de 2010
Geral e abstracta

A lei quer-se geral e abstracta. Legislar sobre um caso concreto é um precedente perigoso que pode gerar uma discricionariedade que não é típica dos Estados democráticos.

A distribuição de dividendos no cenário de que tivemos conhecimento há umas semanas é eticamente duvidosa. Ainda assim, nunca poderá ser motivo para legislar por se correr o risco da insensatez e da falta de lucidez.

Mas não deixa de ser engraçado que os comunistas e bloquistas, sempre tão atentos às conspirações governamentais nestas situações em que a lei é "feita para alguns", venham agora pretender a uma idêntica discriminação.



publicado por jorge c. às 18:27
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Terça-feira, 30 de Novembro de 2010
Mais leitura

Não posso deixar de destacar este artigo de Sérgio Figueiredo no Jornal de Negócios que vai muito ao encontro daquilo que tenho vindo a dizer no que respeita ao essencial e ao acessório do nosso pensamento político. Em rigor, é disto que estamos a falar - a forma como encaramos a nossa sociedade, o modo como distinguimos o essencial do acessório sem demagogia e populismo e as suas consequências práticas nas realidades sectoriais. Não sei se já disse isto hoje, mas vivemos um tempo propício a estas coisas.



publicado por jorge c. às 16:54
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A ler

Muita tinta tem corrido à custa da coscuvilhice. Desta vez a dita é internacional.

Vale a pena, então, ler este texto de Francisco Seixas da Costa que diz praticamente tudo o que há a dizer sobre a gravidade do assunto. E já agora, dêem uma vista de olhos ao texto de Pedro Lomba no Público de hoje (sem link) que mata dois coelhos de uma cajadada só.

Resta-me reforçar algo que já aqui disse: este é um tempo propício a demagogia e populismo.



publicado por jorge c. às 16:23
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Domingo, 7 de Novembro de 2010
Um exército de taxistas

Num breve passeio por aí, reparo que a oposição à direita recebeu com naturalidade e até algum aplauso a ideia demagógica e populista de Passos Coelho de que falei no post anterior.

Talvez seja o cliché dos tempos. Quando a crise aperta o populismo ganha aliados nunca antes esperados. Vale tudo. Esta histeria anti-sócratista, que não é de hoje, levou o cérebro de muita gente a tirar umas férias, sendo substituído por um pedaço de ressentimento e taxismo (sem ofensa, é só um símbolo).

O justicialismo é um dos sinais mais evidentes do triunfo da demagogia. A crise social (seja de valores, de atitudes ou de costumes) faz com que se perca o discernimento e que se tente a todo o custo arranjar responsáveis com rosto para a nossa desgraça.

Já agora, dêem ali um saltinho a este post do Francisco Mendes da Silva.



publicado por jorge c. às 11:15
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Da falta de cultura democrática

Quando eu era puto costumávamos gozar com alguns cidadãos devido à sua escassez de sensualidade. Dizíamos, então, que "aquele gajo devia processar os pais por ser tão feio". A malta ria-se e tal, mas no fundo, e por sermos proprietários de mais de 2 neurónios, sabíamos que aquilo não passava de uma graçola. Sei lá, podia dar-nos para defender aquela ideia peregrina, até porque alguns de nós enveredaram pelo santo ofício do Direito (entretanto tomámos medicação e ficou tudo bem e há até quem leia poesia).

Hoje, ouvi por alto umas declarações do Dr. Passos Coelho. Sim, porque a minha vida não é isto e infelizmente ninguém me paga para eu fazer comentário político indigente por aí. Dizia, então, o Dr. Coelho algo como isto: os governantes devem ser responsabilizados criminalmente por determinadas consequências das suas políticas (interpretação livre, para os mais rigorosos). Que boa ideia! Fez-me lembrar aquela minha doutrina infanto-juvenil. Acontece que PPC é líder do maior partido da oposição e potencial candidato a governante. Esta ligeira particularidade faz das suas palavras um dos maiores exercícios de demagogia que alguma vez foi dirigido ao país por um representante de um partido de poder. Como nos explicou o velho Aristóteles, a demagogia é a perversão da democracia.

Não vou aqui gastar a minha e a vossa paciência com uma exposição sobre a separação de poderes, os princípios do direito penal e da Constituição. Basta apenas apelar ao bom senso de todos para que se compreenda o disparate (a minha generosidade é infindável como os desígnios do Senhor) que aquelas declarações carregam. O problema é que o disparate é perigoso porque é isso que a demagogia é - perigosa.

Lembrem, assim, o Dr. Coelho de uma ex-ministra do seu partido - Leonor Beleza - que, no sentido da sua proposta, poderia ter sido condenada por decisões tomadas com base na segurança hierárquica. Lembrem este homem que a subjectividade das políticas e, em última análise, a escassez de recursos que conduz a uma inevitável restrição do providencialismo do Estado, não podem ser um factor de penalização de indivíduos concretos e que é o Estado que se deve assumir na sua condição democrática. Não sei se estamos todos sensibilizados acerca do conceito de democracia.

Podem tirar o homem do menezismo, mas não tiram o menezismo do homem.



publicado por jorge c. às 00:56
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Domingo, 5 de Setembro de 2010
Guerra semi-fria

O impasse da política portuguesa deve-se essencialmente a um jogo de estratégias eleitoralistas, ou de não-queda, financiado pelo PS e pelo PSD. Os socialistas tentam aguentar o poder com a táctica da diabolização, desta vez mais comedida, não passando de mera desonestidade intelectual e soundbites estafados. O PSD sabe que não pode ser parte do problema e que, por tal, não pode provocar a queda do governo. Nesse sentido, ameaça com ligeireza a reprovação do Orçamento de Estado.

Todo este tacticismo anacoreta perturba a concentração no essencial e alimenta a demagogia das facções mais descentradas. É um clima de guerra-fria entre medrosos, calculistas de berma-de-estrada e demagogos num país com um grande défice de interesse e de cidadania.



publicado por jorge c. às 12:19
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Terça-feira, 20 de Julho de 2010
A banalização da diabolização

Com esta história da proposta de revisão constitucional do Passos Coelho renasceu uma tendência demagógica da esquerda portuguesa e que passa por diabolizar o PSD.

Não está aqui em causa se se concorda ou discorda com a proposta, mas sim a linha de argumentação oposta que reflecte uma inenarrável falta de espírito democrático. Criticar uma proposta porque ela vai matar pessoas à fome e porque é fascista é algo tão demagógico que se torna anti-democrático, porque o que esta argumentação faz é tentar assustar com o seu tom fatalista de forma a criar o máximo de ruído para condenar em abstracto o PSD e a sua legitimidade democrática.

Este é um hábito feio da esquerda, que é ser totalmente intolerante com a legitimidade democrática dos partidos de direita. Foi isso, aliás, que permitiu que Sampaio, num acto claro e indiscutível de favorecimento ao PS, dissolvesse a Assembleia da República. É como se a esquerda detivesse o monopólio da legitimidade democrática e a direita não pudesse adoptar políticas - manias! - de direita. É como se apenas a esquerda fosse válida num sistema democrático.

O país não cresceu, não compreende o significado de escassez de recursos, não compreende o significado de deveres e responsabilidades. E é por isso que anda sempre com a igualdade, os ricos e os pobres e a liberdade na ponta da língua, sem que saiba, de facto, o peso que tudo isso carrega.



publicado por jorge c. às 18:06
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Quinta-feira, 1 de Julho de 2010
A desonestidade intelectual da esquerda

Na boca de Manuela Ferreira Leite estas palavras teriam sido entendidas como salazarentas, reaccionárias e sabe-se lá mais o quê. Aqui está um bom exemplo de como vivemos durante 2 anos no período de maior desonestidade intelectual. É claro que sempre que o referi mudava-se o bico ao prego e passava a ser eu o mau elemento que partia para o insulto. Ora, quando uma realidade é evidente, quando a mentira está à frente dos nossos olhos, não é um insulto, é um facto. E esse facto é que tem de estar em discussão e não o suposto insulto.

Mas, deixemo-nos de queixinhas.

Ao accionar a golden share na PT o Estado está a bloquear a natural dinâmica do mercado. Ao fazê-lo - de forma legítima, claro - o Estado está ao mesmo tempo a dar uma lição de filosofia política àqueles que falam em políticas neoliberais. Portanto, se o Estado mete a pata, o neoliberalismo é uma peta. As suas políticas nunca conhecem a conclusão desejada para que esse sistema funcione plenamente. Parece-me até um pouco estranho ter de explicar isto. Mas a desonestidade intelectual e a influência demagógica da esquerda sobre os menos informados tem sido tanta nos últimos anos que se torna necessário reafirmar e insistir nestas questões básicas.



publicado por jorge c. às 12:53
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Quinta-feira, 27 de Maio de 2010
Populismo anti-político

Este texto do Rui Tavares esclarece muita coisa. Numa altura de crise, este populismo anti-político é perigoso. Dizem-se coisas sem pensar nas suas consequências porque tem de se culpar alguém. A redução de deputados e ministérios é um exemplo claro disso. É histeria pura.


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publicado por jorge c. às 14:30
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