Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Manual de maus costumes

Manual de maus costumes

16
Dez10

Guantanamo - falar do que se sabe

jorge c.

Foi meu professor. Tínhamos um problema: ele queria que eu estudasse Direito Internacional e eu queria estudar Relações Internacionais. Tive de ceder. Não sem antes dizer que eu era cínico demais para a idade que tinha. Bem, eu só disse que era perigoso o envolvimento do Mestre João Zoio nos negócios angolanos (na altura do caso Moderna). É verdade, porra! Por isso fiz um blog, para poder ser cínico à vontade.

 

Agora ele também fez um e acaba de dar uma liçãozinha daquelas que nos dava, a nós alunos, por termos a mania que éramos espertos. Naquela altura tínhamos idade para ser humilhados. Chega-se a uma certa idade em que isso é ridículo.

08
Dez10

Da total irresponsabilidade

jorge c.

Há cerca de 10 anos, quando apareceu, o Bloco de Esquerda era um partido irreverente. Por isso mesmo ganhou simpatizantes em muitos quadrantes políticos, e nomeadamente entre os mais jovens, que o PCP, por exemplo, não conseguia seduzir devido ao seu discurso reaccionário e o PS por ter uma linguagem demasiado ligada a um regime. Aproveitando-se destes factores, o Bloco construiu uma agenda. Para muitos desses simpatizantes essa agenda era irrelevante e o que mais interessava eram os soundbites do chefe da banda - Francisco Louçã. Com o seu discurso populista e demagógico, anti-poder e inconsequente na maioria das vezes, o Bloco conseguiu fazer do que já era mau pior. De um sector eleitoral muitas vezes ignorante passámos a ter um sector eleitoral mal informado e irresponsável por obedecer a soundbites e a discursos políticos demagógicos. É pior porque conduz a um sectarismo perigoso que pode degenerar em radicalismo anti-democrático.

É isto mesmo que está a acontecer com a questão wikileaks. Ao alojar a informação que está a ser veiculada pelo site, caso este venha a ser encerrado, o Bloco de Esquerda está a patrocinar o incidente diplomático, o risco de atentados terroristas, o ódio contra outros países, a indiferença e a falta de respeito por milhões de vidas. Tudo isto porque o Bloco de Esquerda é contra a Guerra do Iraque ou contra os EUA no geral, que é uma posição que implica certamente ser contra a população dos EUA. Mas lá está: há que dizer a Verdade!

Portanto, sabemos que continuamos a contar com um Bloco de Esquerda adolescente, sem qualquer responsabilidade até em assuntos que envolvem a vida de outros seres humanos. O mais grave é haver gente que acha isto correcto, que acha que não se deve olhar a meios para atingir fins, aquilo que sempre criticaram nos Estados Totalitários.

06
Dez10

Os limites da bufaria

jorge c.

Com o boom da internet falou-se muito de pirataria e, mais tarde, do código de honra dos hackers. Era um mundo giro porque ninguém sabia muito bem o que faziam e como o faziam, os hackers, mas havia ali uma empatia universal por esses soldados da verdade.

Hoje, ainda existem muitos hackers que continuam a chatear a cabeça de quem muitas vezes merece, umas vezes com truques caricatos que deixam qualquer um desesperado, outras com mais alguma agressividade. Como em tudo, há para todos os gostos. Mas deles já ninguém quer saber.

O nosso tempo é o da defesa de outra gente que está capaz de provocar climas de grande tensão internacional sendo que código de honra ou respeito pelos mais elementares princípios como a liberdade são coisas que não existem. E quando se fala em tensão internacional não estamos propriamente a falar de comadres zangadas, mas sim de coisas sérias que põem em risco a vida de milhões de pessoas (quando me refiro a pessoas refiro-me a seres humanos, não sei se há alguma escala para isto).

É triste ter que voltar a falar deste bando de marginais inconscientes que tem feito as delícias dos ressentidos em todo o mundo. Mas, parece que há quem ainda ache isto tudo o máximo.

20
Nov10

Convém avisar os ingleses

jorge c.

Tristezas à parte, convém pensar um pouco sobre a relevância desta Cimeira da Nato em Portugal.

As questões com que a Organização se debate no momento andam à volta de um grande tema - a Defesa e a Soberania dos Estados. É claro que este é o propósito da Nato. Mas, será que nos tempos que correm o significado destes dois princípios é o mesmo do século que passou? É nesta interrogação que reside para mim o núcleo de discussão da Cimeira de Lisboa. Senão, vejamos os dois tópicos de maior mediatismo ao longo destes dois dias: o Afeganistão e a Rússia.

Se por um lado temos o proto-debate sobre o "inimigo", e que no caso do Afeganistão é evidentemente o terrorismo, por outro vemos a aproximação de duas realidades políticas diferentes e que carregam consigo a responsabilidade de mudar o paradigma do pensamento moderno no que diz respeito ao tratamento da forma política que cada Estado adopta. A presença da Rússia no universo da Nato representa essa responsabilidade.

Este é o tempo de encerrar o capítulo da democratização do mundo e começar a pensar de modo mais amplo. A nenhum Estado se deve impor uma forma política. O que é necessário é não permitir ameaças externas à sua soberania. Defender e não impor. E neste sentido não é só a cedência da Rússia às exigências da Organização que tem de estar em cima da mesa. É também o modo como o eixo UE/EUA compreende e age perante realidades culturais e sociais (políticas, portanto) diferentes das suas.

Quer me parecer que este é o grande desafio para uma maior harmonização do mundo, para uma paz social global e não globalizadora. É o tempo de um novo pensamento não-imperialista, em virtude de novos imperialismos. Convém avisar os ingleses.

30
Ago10

Algumas notas políticas dos últimos dias

jorge c.

1. O PCP apresentou Francisco Lopes como candidato presidencial. Era de esperar que o comunista fosse empurrado para algum lado, depois de nos últimos 2 anos ser responsável por alguns comunicados do seu partido. Era um sinal. Mas talvez surpreenda que tão fraca figura seja a cara do PC à mais alta magistratura da nação. Isto sugere-nos apenas que Cavaco tem cada vez mais a vida facilitada.

 

2. O Presidente da República, interrogado sobre a embrionária proposta de revisão constitucional que poderá ser apresentada pelo PSD, respondeu aos jornalistas perguntando se já havia entrado algo na Assembleia da República. É claro que mesmo que tivesse entrado, Cavaco diria que "não é altura para o PR comentar esta situação", como já vem sendo hábito, pois temos um Presidente que prefere comentar filamentos de vacas leiteiras. Mas, a verdade é que foi o único a dizer o óbvio. Ninguém pensou que fosse necessário, mas depois das constantes declarações diabolizadoras e populistas da esquerda, e sobretudo do PS, parece que foi mesmo necessário. A falta de honestidade intelectual é, a cada dia que passa, ainda mais assustadora.

 

3. Ahmadinejad revelou ao mundo o que anda por debaixo das saias do Irão - "um mensageiro da paz que mata". Não tendo prestado muita atenção às características do novo brinquedo de guerra, não posso deixar de reparar que esta postura do Irão face ao mundo inteiro acaba por ter muito menos impacto do que as execuções sumárias no grande público, ou pelo menos em parte dele, parte significativa e participativa. Também eu estive presente no Camões naquela vigília que tanta polemicazinha tem gerado na blogosfera (é de ficar de boca aberta, como bem nota Alexandre Homem Cristo, apesar do exagero do "ódio", pois eu chamar-lhe-ia mais palermice), mas no meio de tanta gente não ouvi ninguém tocar no assunto. Bem sei que não é um factor tão emocional. Ainda assim, se calhar um aviãozinho destes é capaz de violar uns quantos direitos humanos. Digo eu.

 

4. O CDS é um lugar estranho. Depois de nas últimas rentrées ter apostado na discrição, na sobriedade dos grupos de estudo e na necessidade de apresentar ideias longe de um discurso demagógico (foi esta a ideia com que fiquei, perdoem-me se estou errado), o Partido de Portas regressa ao circo das feiras e dos comícios inflamados, pondo tudo em alerta e ameaçando o governo sabe-se lá bem com o quê. É tudo tão confuso. Talvez seja este um dos motivos pelos quais nunca conseguirei votar num CDS em que Paulo Portas seja líder, ou até mesmo num CDS que aceita toda esta palermice.

22
Jun10

Israel e o Direito Internacional

jorge c.

Robert Kagan, num dos artigos mais famosos da última década, Power & Weakness, afirma que um Estado defende a sua soberania conforme os meios que tiver à disposição. Se um Estado tem poucas soluções militares, o caminho da diplomacia é o mais provável. Se por outro lado for detentor de armamento suficiente para se impor, é isso mesmo que fará sem hesitações. O caso de Israel é este último.

Cercado por uma ameaça real e com um conflito permanente há décadas, Israel é um Estado munido de armamento suficiente (e ajudado por outros que o vêem como uma barreira) para se defender de forma coerciva e agressiva. Essa defesa tem uma causa que a justifica. A ideia de coercibilidade como forma de evitar outros ataques não pode é ser encarada do mesmo modo que a legítima defesa principalmente no capítulo da proporcionalidade dos meios.

Acontece, no entanto, que o Direito Internacional continua a não ter qualquer força por mais que tente mostrar a arma, sendo fácil para um Estado prevaricar convicto da defesa legítima da sua soberania. Como se dizia lá na escola, o Direito Internacional é como uma arma descarregada apontada à cabeça de alguém.

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Um blog de:

Jorge Lopes de Carvalho mauscostumes@gmail.com

Links

extensão

  •  
  • blogues diários

  •  
  • media nacional

  •  
  • media internacional

    Arquivo

    1. 2014
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2013
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2012
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2011
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2010
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D