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Manual de maus costumes

Manual de maus costumes

15
Mar11

Is this it

jorge c.

Os Strokes têm álbum novo prestes a sair. Para já pode ser ouvido em stream no site.

Ouvi só o single e fiquei desolado. Agora tenho receio de ouvir o resto e ficar tão desiludido que não consiga voltar a olhar para a banda que me abriu um século com uma estética pós-adolescente que dificilmente me assentaria melhor. É como em tudo na vida: teremos sempre Paris.

 

25
Fev11

A música portuguesa se gostasse dela própria

jorge c.

Não me recordo onde ouvi Fernando Tordo dizer que os putos tocam o que ouvem na rádio. Nada mais verdade, se entendermos "rádio" como um símbolo da difusão cultural da época. Tal como eu, milhares de pessoas da minha faixa etária, e até das que estão à volta (permitam-me este exercício de egocentrismo) cresceram sob uma forte influência da cultura anglo-saxónica. Talvez mais do que qualquer outro grupo etário, aquele em que me incluo levou com uma dose grande da cultura popular britânica e americana. A partir desse momento, a expressão cultural, o raciocínio artístico ou a linguagem criativa têm uma matriz não tradicional, exterior ao meio. É natural que assim a expressão se faça nesse sentido.

A minha base cultural é americana. Quando penso em fazer música ou tocar faço-o naturalmente em blues, country ou rock'n'roll. Quando imagino um diálogo para ficção humorística, imagino-o numa língua que não é a minha. Mas quando penso ou escrevo no sentido mais literário faço-o em português. A minha cultura tem, assim, natureza diferente que varia consoante a forma como me chegou o objecto cultural e a qualidade desse mesmo objecto ou o interesse que ele suscita.

Já se tentou de tudo para modificar esta realidade. Normalmente vai-se pela lógica da obrigação: quotas, imposições editoriais ou de agenciamento, etc. Mas a cultura popular portuguesa parece não interessar aos mais novos, àqueles que estão em formação e mais permeáveis à influência cultural. A imposição editorial, por exemplo, não resulta porque para o fazer tem de se ter algum poder (financeiro e de lobby). Em Portugal só o tem quem participa no mercado mainstream que é um mercado com um enorme défice de criatividade, qualidade e inovação. Qual será a solução?

Ontem, pouco antes do Benfica, falávamos de Tiago Pereira e dos seus documentários. "A música portuguesa se gostasse dela própria". É uma frase do João Aguardela (vide vídeo vici) que descreve muito bem a raiz do problema: do preconceito à falta de auto-estudo. Mais tarde, passámos perto do Rock Rendez-Vous e lembrei-me do Aguardela, de como nos faz falta haver referências com essa auto-estima de que o próprio fala.

A importância dos docs do Tiago Pereira está exactamente aqui: na forma como nos descobrimos e reinventamos. É essa a solução.

19
Fev11

É a cultura, estúpido

jorge c.

Quando comecei a ler isto pensei que fosse uma reportagem da estratosfera. Depois lembrei-me que estávamos a falar de um país demasiado grande para se conhecer a si própio, quanto mais ao resto do mundo. Já no fim, não pude deixar de aceitar que é uma realidade cada vez mais nossa. Basta ligar as rádios com maior audiência e ver a música que passam, a ideia errada que dão do espectro musical, da cultura popular contemporânea e como embrutecem as pessoas. E o processo repete-se várias vezes ao dia.

Esta semana, quando a Ministra Canavilhas apresentava o pacote, vi Tozé Brito a pairar por ali. Como diziam os Taxi, estamos condenados à chiclet. E isto, meus caros, já não é elitismo da minha parte, é uma preocupação séria com a estupidez alheia.

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