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Manual de maus costumes

Manual de maus costumes

14
Nov10

Os limites da ética

jorge c.

Em matéria de relevância política, aquilo que o Correio da Manhã publicou sobre as conversas da inenarrável Edite Estrela é, como todos deveríamos saber, menos que zero.

Nos limites da legalidade e da ética, a comunicação social privilegiou sempre o domínio da segunda, conhecendo e compreendendo o risco da ultrapassagem da primeira. Era, portanto, uma excepção. Uma excepção que se torna legítima quando a matéria em causa é do interesse público e vem, manifestamente, contribuir para a higiene do Estado de Direito.

Parece que hoje estamos já noutro nível de discussão. Ao publicar uma escuta sem qualquer interesse público e que não passa de uma conversa privada entre dois amigos, o Correio da Manhã está a ultrapassar os limites da ética e a reduzir o debate sobre a publicação de escutas de interesse público ao nível do lixo.

Defender esta premissa - os limites da ética - é um princípio e nada tem que ver com motivos partidários. Nem pode ter.

Pela saúde de todos nós, não deixem que isto se torne a regra.

08
Nov10

Imprensa falsa

jorge c.

Há umas semanas recebi um e-mail que dava a conhecer uma notícia sobre os mineiros chilenos. Era uma notícia caricata em que um dos mineiros tinha descoberto que a mulher estava grávida de cinco semanas. É fazer as contas. Concentrei-me na piada e não dei grande atenção ao factor noticioso. Numa posterior troca de mails com a Shyznogud, ela, que é muito mais atenta a estas coisas, acabou por descobrir que se tratava de uma notícia do Sensacionalista - um jornal humorístico ao estilo do The Onion (o nosso Inimigo Público, vá). Não foram precisos 2 minutos.

Hoje, a Shyznogud mandou-me esta pérola (via Facebook). Parece, então, que os jornalistas do Diário Económico não quiseram perder os tais 2 minutos para se certificarem da factualidade, nem para perceber a natureza do meio de comunicação que estavam a usar como fonte. Até nos podemos rir, ao início, mas depois começamos a sentir vergonha do alheio. O passo seguinte é começarmos a recear que isto esteja a influenciar a nossa percepção da realidade a partir da informação a que temos acesso.

Ora, isto suscita algumas questões que já foram colocadas, e bem, neste post do Jugular. Outras questões suscitará, como a qualidade das redacções, dos cursos de comunicação social, os mercados, etc. Mas para já isto serve.

Numa altura em que se fala tanto de censura e manipulação, parece que se esqueceu de discutir a qualidade do jornalismo face à urgência de informação tão reclamada pela internet. Se hoje o mercado dos media é renhido num espaço tão pequeno como o nosso, será que se vai prescindir de um conjunto de princípios basilares do jornalismo para responder tempestivamente, mas sem critério, a essa urgência?

19
Jul10

O Blitz errou, como sempre

jorge c.

A incompetência não anda só de mão dada com as promotoras. É como um vírus que ataca implacável sem discriminar.

Veja-se este exemplo da revista Blitz que envia uma fã adolescente para o espectáculo e deixa de lado o rigor que se exige a um órgão especializado. Era de esperar que o enviado do Blitz soubesse, pelo menos, que a Casa da Mariquinhas foi um tema celebrizado por Marceneiro e outros fadistas, enquanto que o que uma Ana Moura desafinada e rouca cantou foi "Vou dar de beber à dor", um tema que Amália eternizou. Se este é um erro comum na maioria das pessoas, não pode ser numa revista de música. A exigência do rigor advém da necessidasde de informar e esclarecer e não de falar do que se ouve na rua.

A reportagem e a crítica artística e cultural em Portugal são medíocres e pretensiosas. Já sabemos. Mas é incompreensível que uma entidade que promove a música popular não seja exigente com os seus funcionários na sua divulgação. Não se trata de gostar ou não de fado. Isso é uma matéria irrelevante. Trata-se sim de trabalho, pesquisa e, no fundo, de cultura.

14
Mai10

Mas o que é isto?

jorge c.

Descubro no Abrupto a primeira página de hoje do Diário de Notícias. Seja o que for que aquilo pretendeu ser, é de um miserabilismo, de uma falta de moral e de bom senso sem precedentes. Coisas destas são ditas por atrasados mentais ou por fanáticos. Um jornal não pode fazer isto.

Se o bom senso imperasse mais gente se insurgiria contra isto.

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