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Manual de maus costumes

Manual de maus costumes

08
Jul10

Regionalização - para início de conversa

jorge c.

Por que se fala de regionalização?

Apesar de parecer de fácil resposta, a questão traz mais implicações que o tradicional romantismo político de descentralização. Sendo que falamos de Portugal, há várias coisas a ter em conta: a necessidade, as pessoas, o timing, a organização.

O tema começa sempre pelo regionalismo bacoco, pela rivalidade e pelo sentimento de inferioridade. É inevitável começar mal. A defesa da regionalização nunca foi sustentada pesando prós e contras, mas sim com matéria identitária e populista. Ora, como se pode defender em absoluto algo como a regionalização tendo em conta a qualidade dos nossos políticos no panorama partidário português, tanto na Assembleia da República como nas autarquias? Só a hipótese de caciquismo deixa logo muito que pensar. E se as pessoas nos deixam reticentes, imagine-se os meios, numa altura de profunda crise onde a má organização, o excesso burocrático, a saturação de funcionários públicos (lembremo-nos do recente congelamento e da eventual descida dos salários), a fiscalização e outros assuntos não são de ignorar.

É de notar também que o fim dos fundos comunitários apressa esta discussão e uma parte dos responsáveis até agora estará algo ansioso para lhe dar início. As regiões, vítimas de 30 anos de má política, estão a um passo de ficar sem a ajuda que, ainda assim, foi equilibrando as contas, não obstante os "projectos de interesse nacional" que levaram muito dinheiro que lhes estado destinado para Lisboa.

Estas questões não são, para já, argumentos contra ou a favor, mas sim tópicos de reflexão.

07
Mai10

Do miserabilismo

jorge c.

Os dois últimos encontros entre FC Porto e Benfica provocaram confrontos graves entre adeptos que só não tiveram piores resultados por mero acaso. O clima de terror e impunidade criado pelas claques fez com que muita gente como eu evitasse ir ao Estádio do Dragão ver um jogo de futebol. Já muito se falou e escreveu sobre este assunto, mas poucos falam no renascimento crescente do regionalismo bacoco criado pela rivalidade clubística. Se hoje, pelos cafés, se critica tudo - são todos responsáveis, dizem - logo o assunto muda e tenta encontrar-se na contraparte um motivo qualquer para desculpar o nosso lado. Os adeptos dos clubes são instrumentalizados pelos dirigentes desportivos (sim, eu sei que parece ridículo) e promovem um ambiente de pré-guerra civil ignorando factos, ignorando a realidade e preferindo uma lógica macaca de perseguição contra o seu clube e que não é senão perseguição regional. Incrível!

 

É neste sentido que vem esta entrevista de Jorge Nuno Pinto da Costa. Relegado para o terceiro lugar do campeonato, depois de vários erros cometidos na administração do clube desde contratações, prémios para administradores, comissões de transferências de jogadores, etc, o presidente do FC Porto vem agora incendiar a rivalidade já por si preocupante e aumentar o clima de tensão e desconfiança regionalista. Com uma visível falta de seriedade e com o objectivo claro de tentar ganhar vantagens para o clube, Pinto da Costa parte de acusações ridículas e até a preferência clubística do Primeiro-ministro é alvo da sua vitimização calculista e desonesta. Veja-se o que diz de Rui Rio. Tudo aquilo que Pinto da Costa diz do Presidente da CMP cai no total disparate quando verificamosc quem foi o autarca português que se manifestou publicamente contra a exclusividade do pagamento das SCUT's pela região norte, ou quando os portugueses viram as verbas do QREN serem desviadas para projectos de interesse nacional em Lisboa. Mas, toda a entrevista é um tratado de má-fé e desonestidade intelectual. Repare-se nesta frase: "Se houvesse um movimento de pessoas a lutar pela regionalização, eu acreditava mais". No contexto de que é retirada, percebe-se bem que a intenção de Pinto da Costa em toda a entrevista foi incentivar o separatismo para que de futuro, com a possibilidade de uma região, não haja nenhuma voz "contra o FCP". E para esta criatura estar contra o FCP foi aquilo que Rio fez. Ora, se nos recordarmos bem do que Rio fez, veremos que o Presidente da CMP apenas retirou benefícios ao clube e o colocou em pé de igualdade com os outros clubes da cidade no que ao tratamento diz respeito e acabando com uma promiscuidade entre a Câmara e o futebol que era evidente aos olhos de todos. Esses benefícios foram em grande parte atribuídos no reinado de Fernando Gomes, tão elogiado pelo portista na entrevista. É claro que uma boa parte dos adeptos, vivendo de factos inventados, foram na conversa de Pinto da Costa que alimentou um ódio por Rui Rio inexplicável porque conhecia a sua natureza no futebol.

 

Vejo, neste momento, a regionalização como uma hipótese forte e favorável à resolução de problemas das regiões. Mas depois de ver o que esta gente diz e a forma como promove o ódio e o rancor entre duas zonas do país fico muito céptico se social e culturalmente isto fará algum sentido. A violência está à vista de todos e a impunidade dos dirigentes nas declarações que fazem para incendiar as hostes é evidente. Enquanto se continuar a afirmar que um bronco como este é inteligente e culto e uma pessoa espectacular, enquanto se continuar a defender este discurso miserável e a divulgar mentiras e a promover o ódio, a violência continuará e a tendência é para aumentar.

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